Rigoletto

Hoje, exatamente, se completam 200 anos do nascimento de Verdi.  Que sorte esse dia cair justamente numa quinta-feira.

É uma data para lá de importante para a história da música, da arte e da humanidade.  Porque o mundo celebra qualquer ano após ano o desembarque das tropas aliadas na Normandia, os ataques terroristas ao WTC…  Mas se esquecem de celebrar as coisas boas que aconteceram à humanidade.  O nascimento de Giuseppe Verdi, sem dúvida, foi uma delas.  Tão importante, talvez, quanto o nascimento de Leonardo da Vinci, Nelson Madela, Luís de Camões ou William Shakespeare.  Tudo bem que o papel dele na história da Itália seja bem mais importante do que na história da música.  Mas este não é, nem de longe, desprezível.  Eu não arriscaria muito ao chutar que pelo menos metade das montagens de óperas feitas no mundo no século XX foram de óperas de sua autoria.  Muitos podem até achar que outros autores foram mais brilhantes, mas a longevidade de Verdi permitiu que ele conseguisse compor em quantidade nunca antes imaginável nem posteriormente igualada.

Para celebrar seu bicentenário, a ópera de hoje é o seu segundo grandioso e eterno sucesso: Rigoletto, de 1851.  É uma das óperas com maior conteúdo dramático que eu já vi.  É uma das histórias mais bizarras com as quais eu já tive contato.  Contém todos os elementos característicos de um grande drama reunidos: paixão, ódio, amor, vingança, inveja, assassinato, ironia, humor, dor, raiva…  Tem de tudo um pouco, muito bem misturado, numa história baseada em uma peça de Victor Hugo, chamada Le Roi s’Amuse.  E só de pensar que Verdi a compôs, do zero ao fim em apenas quarenta dias…

A ária “La Donna è Mobile” é a mais conhecida da ópera e figura no vídeo de hoje.  É um canto em ritmo de valsa entoado pelo Duque de Mântua, um personagem mulherengo e libertino que seduz a filha de seu bobo da corte, Rigoletto, e que resume o seu pensamento sobre as mulheres.  Foi um sucesso instantâneo, segundo relatos da época.  Dizem que, no dia seguinte à estreia, já pela manhã, viam-se várias pessoas cantando “La Donna è Mobile” pelas ruas de Veneza.  Não é para menos…

A mulher é voluvel
Como pluma ao vento,
Muda de sotaque
E de pensamento.

Sempre um amável,
Gracioso rosto,
Em pranto ou em riso,
É mentiroso.

A mulher é voluvel
Como pluma ao vento,
Muda de sotaque
E de pensamento.
E de pensamento.
E de pensamento.

É sempre um infeliz
Quem a ela se entrega,
Quem lhe confia
Incautamente o coração.

Também nunca sente-se
Feliz em cheio
Quem naquele seio
Não saboreia amor.

A mulher é voluvel
Como pluma ao vento,
Muda de sotaque
E de pensamento.
E de pensamento.
E de pensamento!

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One Comment

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  1. Essa ária realmente é chiclete, rsrsrs

    Para mim, todas as deste mês são.

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