Carta aos policiais belgas

Rio de Janeiro, 14 de outubro de 2013.

Caros policiais belgas,

Achei um absurdo ilógico essa postura de vocês nos protestos dos bombeiros ocorridos na última segunda-feira.  Não consigo admitir que policiais possam ser agredidos com tamanho ultraje sem revidar, sem se impor, sem recolocar a ordem, a paz, os valores familiares e pacatos da sociedade à qual vocês defendem em evidência.  Aquele banho de espuma foi mais doloroso e humilhante do que a Tragédia de Heysel.  Uma vergonha!

A polícia existe para coibir comportamentos dessa natureza.  Ninguém tem o direito de fazer escárnio com autoridades, defensoras fiéis do bem e da ordem.  E a polícia tem a obrigação de não tolerar tais atos.  Não consigo me conformar com aquela imagem que viajou o mundo, a ponto de me alcançar…  Ver vocês cobertos de espuma lançada pelos coirmãos bombeiros numa baderna promovida por eles em Bruxelas…  Chorei com vergonha alheia!

Por muito menos, aqui no Rio de Janeiro, a polícia se fez presente, senão na moral, ao menos na ponta de seus cassetetes e nas suas latas de spray de pimenta.  Até porque esse negócio de banho de espuma é moda que já passou há mais de dez anos por estas bandas.  E olhem que não foram funcionários públicos miliares amotinados: foram baderneiros civis, professores, que deveriam estar em sala de aula ensinando os valores que vocês violaram naquela atitude ignomínia da última segunda-feira.  Mas que não estavam – afastaram-se da nobreza de seu ofício para dar mau exemplo às crianças e aos jovens.  Estes, por sua vez, ficaram deixados infamemente ao relento, carentes que são, estudando em casa para terem um futuro digno – tornarem-se policiais, provavelmente.

Recomendo, portanto, que vocês venham ao Rio de Janeiro aprender o que nós temos de melhor: a tecnologia de combate a insurreições populares e motins.  A tradição carioca nesse processo, aliada à experiência vivida recentemente por estas bandas, primeiro com as badernas de junho e, depois, com esses oprópbrios professores, garantirá a vocês uma capacitação profissional sem precedentes no mundo.  Nunca mais uma multidão repetirá os atos que os bombeiros praticaram contra vocês, sem sentir na pele o calor do ferro frio.  Vão por mim e aceitem o convite.  Vocês serão muito bem vindos!

Até a próxima,

Leandro.

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One Comment

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  1. Foi mesmo, é? Nem fiquei sabendo. Que mico, rapaz.

    Foi! Dá uma olhada nisto aqui.

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