Catequese

Enfim chega o dia em que um pai tem que chamar o filho no canto e falar sério com ele, ensinar algo sobre a vida, dar conselhos de verdade sobre coisas importantes.  Chega o dia, enfim, que é necessário conversar abertamente, sem preconceitos e sem pudores – uma verdadeira catequese de valores.  Pais são responsáveis pela formação da personalidade e da índole de seus filhos e essas conversas fazem parte desse trabalho de lapidação.  Seria muito bom se a vida passasse sem que jamais fosse necessário tê-las.  Não é assim, porém.

Por isso, semana passada chamei a Felícia no canto e comecei a falar para ela sobre a vida, a felicidade, coisas boas e maravilhosas que a vida tem a oferecer.  Tentei explicar com palavras a diferença entre o certo e o errado, entre o bom e o mau, e como o certo e o bom podem trazer felicidade, ao contrário do mau e errado, que só trazem angústia e tristeza.  Dei como exemplo, para ilustrar melhor a conversa, o próprio papai e a própria mamãe, felizes por essência, por terem tido a oportunidade e a felicidade de se apegarem ao que é correto.

Ela não faz ideia de quem seja Hernane.  Melhor assim, por enquanto.
Ela não faz ideia de quem seja Hernane. Melhor assim, por enquanto.

E, para frisar bem isso, aproveitei bem a oportunidade para reforçar, quase que diariamente, como é bom torcer pelo Flamengo: gravei o jogo de volta da Copa do Brasil, contra o Botafogo, e coloco para ver na televisão do quarto dela sempre depois do jantar, comemorando cada gol como se fosse o gol do título, com a mais genuína alegria.  Assim, aos poucos, ela vai entendendo que a felicidade está no coração de quem é súdito de Zico.

Não é à toa que, ontem, naquele jogo mequetrefe, quando a bola rolou mansa para dentro do gol do Fluminense e eu gritei “GOL!”, ela largou o que estava fazendo e instintivamente se jogou no meu colo, braços erguidos a comemorar e me abraçou forte – aquele abraço de estádio, de quem tem a certeza de que ajudou um pouquinho a empurrar a bola para dentro.

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2 Comments

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  1. Não vou falar nada sobre o conteúdo, mas concordo plenamente com a forma. É assim que se catequiza um filho. Como eu sempre digo, os filhos têm te torcer para o time dos pais, por uma questão de harmonia familiar.

    Não se incomode: também exibo, às vezes, um jogo do Flamengo contra o Vasco.

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