Fio Maravilha

Mês novo, série de vídeos nova.  Com o Flamengo em alta, ao menos neste início de mês – tudo pode mudar em poucos minutos na Gávea, tanto para o bem quanto para o mal, e todo flamenguista sabe muito bem o que isso significa – os vídeos também serão relacionados ao “Mais querido do Brasil”.  Não serão, porém, uma louvação ao seu passado de glórias, nada disso.  Os vídeos deste mês mostrarão que a história do Flamengo também é feita por perebas, pernas-de-pau, jogadores medíocres – mas que em algum momento souberam aproveitar algumas oportunidades, entender as próprias limitações, e superá-las.  Caíram no gosto da torcida – mais por farra do que por idolatria – e entraram para a história do clube.  Sim, porque vencer é muito bom, mas a isso o flamenguista já está acostumado.  Vencer com gol do pior jogador em campo é outra história…

Hoje, o primeiro da grande linhagem de perebas idolatrados pela torcida do Flamengo: Fio Maravilha.

Se você é jovem e, como eu, passou boa parte da vida achando que o cara que se dignou a ganhar uma música tão maneira era um craque, enganou-se redondamente.  Fio era pífio, patético, medíocre, ridículo.  Ele não chutava a bola, a bola batia nele.  Depois de uma breve pesquisa com gente que viu o Flamengo jogar no início dos anos 70 – época em que grandes times contavam com Pelé, Tostão, Jairzinho, Dadá Maravilha em seus ataques… -, consegui perceber que era tudo chacota, dessas que só a torcida do Flamengo faz da própria desgraça.

A figura era horrenda, com aqueles dentes desgrenhados, rebeldes, que insistiam em não caber dentro da boca.  Desengonçado, desproporcional, tudo levava a crer que dali nada sairia – e costumava não sair mesmo.  Driblava quando nada se esperava dele, perdia gols feitos, daqueles que até a minha avó faria.  Creio, aliás, que as avós começaram a ter suas escalações cogitadas nos times de futebol justamente por causa de Fio e suas peripécias improváveis.  O Flamengo é mestre nessas coisas…

Chamá-lo de “Maravilha” era uma baita ironia, que se perdeu no tempo.  A torcida gostava dele não pelos gols, nem pelas atuações memoráveis.  A torcida gostava dele por que ele sabia que era pereba, se empenhava em campo, lutava, dava sangue pelo Flamengo – e dava a ela uma razão a mais para gozar com a cara dos adversários.  Porque não tinha a menor graça ganhar com gols de gente boa, como Doval, Zico…  Legal mesmo era vencer com gol de Fio.  Zoação dobrada sobre os adversário: pela derrota e pela humilhação.

Infelizmente, há poucas imagens disponíveis na internet sobre ele.  O pouco que resta é isso aí:

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