O Cachambi responde – história de viagem

Chega a o fim a saga das respostas ao questionário da Nívia.  Fazia tempo que eu não tocava no assunto.  Aliás, preciso fazer um agradecimento sincero a ela, que sustentou esta seção com seu calhamaço de perguntas por pelo menos dez semanas nas quais as perguntas minguaram.  Demorei a responder essa pergunta por não ter tempo e por não saber responder.  Já dei essa resposta tantas vezes, em outras oportunidades, que foi difícil encontrar uma história inédita para contar.  Lembrei de uma, vamos a ela.

Conte alguma história engraçada ou trágica que lhe aconteceu durante uma viagem.

Quem já experimentou pedir alguma informação na rua em Portugal certamente se reconhecerá nessa resposta.  Um belo dia, em Lisboa, resolvi subir ao Castelo de São Jorge.  Eu estava, não estou certo disso, na Rua da Conceição, onde passam tanto o bonde (lá chamado de “eléctrico“) 28 quanto um ônibus que poderiam me levar ao Castelo.  Como o Castelo fica lá no alto, não rola de subir a pé.  E, como eu não estava muito certo se o eléctrico parava ali, resolvi perguntar a um velhinho que fumava seu cigarro em pé na calçada, aparentemente sem nenhum outro compromisso.  “Bom dia! Aqui passa o eléctrico 28?” Ao que ele, tirando o cigarro da boca, respondeu: “onde queres ir?”  Respondi que queria ir ao Castelo de São Jorge.  “Pois! Não vás de eléctrico, vás de autocarro!” “Mas eu quero ir de eléctrico, quero ir no 28.” Ele insistiu: “Negativo!  Pegue o autocarro que é melhor, ele vai até mais próximo do Castelo e é mais rápido.”  Formou-se o impasse: eu queria pegar o raio do bonde e o velho insistia em não responder a minha pergunta, forçando que eu fosse de ônibus (lá chamado de “autocarro“, esclareça-se).  Enquanto eu começava a desconfiar das suas intenções e me afastar dali, ele me seguiu e fez sinal para o tal ônibus, que parou e abriu a porta.  O velho me recomendou ao motorista, que rapidamente aderiu à sua campanha, convidando-me insistentemente para embarcar.  Recusei, larguei os dois ali falando sozinhos – um lamentando com o outro a minha decisão – e fui procurar o ponto do bonde.  Horas depois, após ter visitado o castelo (de bonde), cheguei ao restaurante (hoje já não mais existente) de uns amigos portugueses e adivinhem quem eu encontro lá?  O velho!  Pior: ele era cliente e amigo de longa data dos meus amigos, o que fez com que todos os presentes no restaurante, em coro, viessem me dar sermão por eu não ter pego o ônibus para subir ao Castelo de São Jorge.

* Você tem uma dúvida, quer fazer uma pergunta? Mande-a clicando aqui, que O Cachambi responde. A pergunta a ser respondida semana que vem pode ser a sua.

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2 Comments

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  1. Hahahaha, levar esporro da lusitanada foi boa!

    Cansei de levar. Houve outros.

  2. Eu ainda acho a história do joda-te! a melhor até agora.

    Realmente, ela é insuperável.

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