Nunes

Que o Flamengo teve muitos perebas em sua história, isso todo mundo já sabe.  Foram tantos que daria para fazer vários times completos.  Em algumas épocas, porém, para a sorte da Nação Rubro-Negra, eles escassearam e cederam a vez para uma constelação.  Foi um encontro tão improvável e rico quanto aquele que ocorreu em Florença durante o Renascimento.  Claro, os perebas não ficariam de fora dessa festa celestial.  Aquele Flamengo do início dos anos 80, com Zico, Adílio, Andrade, Leandro, Júnior & cia., tinha um pereba lá na frente.

Pereba mesmo, daqueles que nasceram chucros para o futebol, que mal sabem correr e conduzir a bola ao mesmo tempo, sem nela tropeçar.  Talento não tinha, mas tinha instinto – e um time inteiro para consagrá-lo.  Foi o cara errado, no lugar certo, na hora certa.  Tantos atacantes eram mais talentosos que ele, mas não chegaram lá onde ele chegou.  E ele não só chegou: ele se imortalizou.

Nunes teve a sorte e a competência de ser decisivo em decisões – perdoem-me o pleonasmo, ele é necessário.  E isso foi o suficiente para apagar da memória e dos registros cinematográficos as suas presepadas.  Apesar de procurar bastante, não encontrei um lance bisonho sequer na sua carreira.  Só gols, gols decisivos, gols em finais, gols de campeonato, gols de título – precisa mais?  O mais perto que eu cheguei do verdadeiro “eu” de Nunes.  Ele nunca fez sucesso em outro clube, só no Flamengo.  Naquele Flamengo, não por acaso.

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