Obina

Desconfio que, quando Deus criou o Obina, Ele não quis fazer um jogador de futebol. Ele quis dar um tio legal para as crianças do mundo, Ele quis criar um sujeito meio palhaço, meio criança, daqueles que ilumina e alegra qualquer ambiente, jamais um jogador de futebol. Quisesse fazer realmente um jogador, não o teria esculpido com formas tão desengonçadas, desproporcionais, atrapalhadas, enroladas, grotescas até.

Obina é muito ruim de bola.  Mas Deus o escolheu para jogar no Flamengo e fazer gols decisivos – mesmo que não pensasse nisso num primeiro momento, quando o enviou ao mundo na barriga de sua mãe.  Deus deve ter mudado de ideia no meio do caminho, numa tentativa feliz de tornar o futebol mais alegre, mais povão.  Obina virou xodó porque aceitou a chacota (“Obina é melhor que Eto’o!“) a seu respeito com o sorriso e a inocência de uma criança.  Coisas que só acontecem mesmo no Flamengo.  Em outros times, ele jamais daria certo – como, aliás, não deu desde que saiu da Gávea.

Ver Obina comandar o ataque do Flamengo era um exercício de paciência e de fé – dois sentimentos que andam juntos.  Fé de que a mística da camisa rubronegra superaria, sempre, a ruindade de Obina.  Paciência para esperar um jogo inteiro para, enfim, comemorar o milagre – que nem sempre acontecia, mas costumava acontecer em jogos decisivos, contra adversários importantes.

Isso deu origem a uma das mais célebres chacotas da torcida do Flamengo – chacota feita não com Obina, mas com os adversários que teimavam em perder para o Flamengo com gol de Obina.  Quando ele entrou em campo naquela semifinal de Taça Guanabara contra o Vasco e, aos dois minutos de jogo, sacrificou sua própria integridade física para empurrar a bola para o gol e classificar o Flamengo para mais um título estadual, foi como se ele se martirizasse pela causa rubronegra, à semelhança de um enviado divino.  Até ali ele era xodó (xodó, a torcida já teve vários); dali para frente, virou ídolo (ídolo, a torcida do Flamengo aclamou poucos).

Um ídolo ruim de bola, mas que estava disposto a tudo para fazer o Flamengo vencer.  Um ídolo que não desistia mesmo nas piores noites de futebol de sua vida.  O vídeo abaixo mostra tudo isso.

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