Ai, meu côco!

Vira e mexe Felícia chega em casa com uma novidade na sua comunicação.  Seja uma forma de dar bronca, seja uma expressão qualquer…  É tão nítido que aquilo não é algo natural – afinal, não faz parte do modo de ninguém lá em casa se comunicar – que a gente pesca logo a origem.  E, como tudo lá na creche funciona muito bem, a gente procura se adaptar.  Por exemplo, fiquei maravilhado com o resultado obtido por um “não gostei!” bem dito, sério, com dedo em riste, igual ao que eu recebi na quarta-feira.

A outra expressão nova da semana foi “Ai, meu côco!“, que ela tem repetido sempre que bate com a cabeça em algum lugar.  Aliás, a primeira vez que eu ouvi foi quando ela bateu com a cabeça na minha cabeça.  Doeu um pouco em mim, deve ter doído bastante nela.  Estávamos brincando sei lá do que quando nos chocamos.  Olhamos um para o outro, achei que ela ia chorar, ela apenas esfregou o lugar do contato e disse: “Ai, meu côco!”  A preocupação deu lugar ao riso.  Eu podia ver a professora dizendo aquilo para minimizar um choque, desses que devem acontecer aos montes entre aquelas crianças todas, dentro do ambiente escolar.

Choques como esses têm sido cada vez mais comuns.  Aquela fase de tirar fino de tudo já passou.  O corpo da Felícia cresceu e ela ainda não se deu conta disso.  Esbarra nas coisas com mais facilidade.  À medida que ousa movimentos mais arrojados, erra mais no cálculo e as pancadas são inevitáveis.  Felizmente, sempre a baixa velicidade, o que minimiza os danos.

O problema é o dengo.  Quanto dengo!  Sai andando pela casa e bate a cabeça em algum lugar, olha para mim e coça a cabeça.

– O que houve?  Machucou?

Não machucou nada, mas ela faz cara de dor e diz que sim.

– Então vem cá para o papai dar um beijinho.

E ela vem, vira a cabeça e eu dou o beijo.

– Melhorou?

Ela faz que sim com a cabeça.  Senta e mostra o joelho.

– O que houve?

– Machucou aqui também.

– Sério?  Machucou também o joelho?  Então o papai vai dar um beijinho no joelho para melhorar.

E dou o beijo.

– Melhorou?

– O outro, papai.  Joelho.  Machucou também.

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One Comment

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  1. Só posso repetir a expressão do Eduardo que ficou eternizada: A Felícia é uma delícia!!!!

    A falta de imaginação anda solta por aqui…

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