Se não sobrar para mim…

Semana passada Felícia assistiu um batizado, durante a missa dominical.  Foi um batizado de adultos.  Ela ficou curiosa para saber o que estava acontecendo e, por isso, eu fui com ela até o altar para ver bem de pertinho.  Sentamos no chão e ficamos olhando.  Ela, fascinada.  De fato, tudo que é inédito a fascina, mesmo que ela não reconheça isso verbalmente.  Mas dá para perceber.  Quando terminou o batizado, eu perguntei a ela:

– E aí, gostou?

Ela fez que sim com a cabeça, algo que é bastante difícil de acontecer.  Normalmente, ela diz que não quando não quer algo e fica quieta quando aquiesce.

– Você já fez isso, quando era bem pequenininha.  Você lembra?

– Não.

– Tudo bem, o papai também não lembra do batizado dele.

– Papai!

– Oi.

– Quer tomar banho também.

Não foi tão duro explicar para ela que não era hora nem lugar de tomar banho, que aquilo era apenas para as pessoas que tinham que tomar banho e que a hora do banho já havia passado e, por isso, a gente teria que esperar até chegar em casa para tomar banho.

——— x ———-

Este domingo, fomos novamente à missa.  Não houve batizado.  Excetuando pela solenidade da data, foi uma missa como outra qualquer, sem grandes festividades como a da semana anterior.  Na hora da comunhão, formou-se a fila no corredor central e a Felícia se interessou por aquilo.  Entrou na procissão à minha revelia e seguiu entre as pessoas, no passo dos outros e no compasso da música.  Quando chegou lá na frente, parou e ficou olhando o padre ministrar a comunhão aos adultos, muito acima dela.

Algumas pessoas vieram falar comigo: “a sua filha está lá na frente!“, como se fosse algo do outro mundo.  “Ela quer ver, deixa ela ver!“, eu respondia a todas.  Ela não estava atrapalhando ninguém.  Estava quieta, em pé, olhando para o alto.  E eu acho ótimo que as crianças, especialmente a Felícia, se interessem por essas coisas boas.  Muito melhor ter essas descobertas do que passarem horas na frente da televisão ou do IPad.

Quando tudo terminou, o padre abaixou-se, deu-lhe um forte abraço e tascou-lhe um beijo na testa.  Ela morreu de vergonha e voltou correndo na minha direção.

– Papai!  Papai!

– Oi.

– Eu “quelo” biscoito…

Dessa vez foi difícil explicar que já havia passado da hora do padre dar biscoito, que ele já havia guardado o biscoito, que a gente comeria biscoito assim que chegasse em casa.  Foi, aliás, bem mais difícil…

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2 Comments

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  1. Esses negócios de adulto são muito complicados mesmo…

    Tomara que um dia ela entenda.

  2. Eu, pra variar, só pensei no trocadilho com “biscoito” e “padre” :p

    Não alcancei.

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