É do papai! É da mamãe!

O ser humano me parece vocacionado à dualidade: vive em eternos conflitos entre pólos distintos.  Cara e coroa, céu e inferno, certo e errado, bonito e feio, legal e chato, digital e analógico, sim ou não…  Para tudo existem opções distintas e extremas, opostas, que pautam escolhas e estilos de vida.  Essas coisas são tão inerentes ao ser humano que vêm desde o berço.

Felícia, por exemplo, está numa fase de disputa interna entre o pai e a mãe.  “Cadê o pezinho da mamãe?“, Fiona pergunta, e a Felícia oferece um dos pés, geralmente o direito, para ela.  “E agora cadê o pezinho do papai?“, e a Felícia oferece o outro pé para mim.  “E o pescoço, é de quem?”  Nem sempre ela responde “é meu!“.  Pescoço, só tem um.  E aí, como faz?

Durante alguns dias, posso afirmar que as duas últimas semanas, sem medo de errar, o pescoço, a barriga, o bumbum, era tudo do papai.  Isso mesmo, ela estava na fase papai da vida, de um lado da sua polaridade.  Tivesse eu publicado este post na semana passada, ou melhor, até sábado (anteontem), eu diria que estava ganhando a disputa com folga.  Ela chegara ao cúmulo, durante a semana, de pedir colo, se abraçar comigo e empurrar a mãe, sem olhar, para longe dela e de mim.  Foi uma cena chocante mesmo para mim – imagino como deve ter sido para a Fiona.  O empurrão foi de um desleixo e um desdém que eu jamais havia presenciado antes.

Ontem, porém, tudo mudou, de maneira tão súbita quanto inesperada e sem justificativa aparente.  Papai foi relegado ao segundo plano de sua existência, como que para lembrá-lo de ser humilde e não cantar vitória antes do tempo, e mamãe voltou a ser o sol de sua vida.  O que aconteceu?  Nem eu nem Fiona sabemos explicar.  Inicialmente tentamos associar com o seu estado de saúde: a primeira vez que essa maré virou foi quando Felícia ficou doente.  Ela largou a mãe e grudou no pai, voltando a preferir a mãe quando se restabeleceu.  Mas desta vez não houve nenhum fato associável que nós pudéssemos perceber.  Foi só mudança de humor mesmo, dessas típicas femininas.

Ontem ela não deixou que eu desse banho nela, não quis que eu a secasse nem escovasse seus dentes.  Também exigiu que a mãe dirigisse o carro e a auxiliasse no almoço.  Não me foi permitido trocar uma fralda sequer, tampouco preparar a mamadeira – tarefas que há duas semanas, pelo menos, me cabiam quase que com exclusividade, por exigência da própria Felícia.  Mas tudo bem, se chegou a minha vez de tirar férias, vou aproveitar.  Porque a qualquer momento, isso pode mudar de novo, para o outro extremo, para o outro pólo.

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2 Comments

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  1. “Foi de um desleixo e um desdém…” kkkkkkkkkk, dramaticidade digna do pai da Felícia, hahahahaha

    Ela repetiu isso hoje… Aliás, voltei ao topo da lista!

  2. Ah, a inconstância da juventude…

    Tem estado constantemente voltada para mim.

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