Ter um marido é…

Meninas leitoras frequentes e eventuais deste blog, tenho ouvido muitas histórias de mulheres que alimentaram durante uma vida inteira o sonho de se casar, mas não nutriram com o mesmo afã o desejo ardente de terem um marido.  Isso pode soar estranho, bizarro até, mas é verdade.  Como pode uma coisa acontecer sem a outra?  Simples: da mesma forma que uma mulher compra pelo prazer de comprar, não para ter algo.  E esse é apenas um daqueles milhões de mistérios inexplicáveis das mentes femininas.

Nesse universo de mulheres, a maioria não está casada simplesmente por não conseguir encarnar o sonho de ter um marido – está solteira ou separada/divorciada.  Dessas últimas, quase todas deram festas de arromba para celebrar o matrimônio – o que é muito diferente de dar uma festa para celebrar a união com outra pessoa.  Porque comemorar a realização de um sonho e jogar isso na cara da sociedade é uma coisa; assumir a mudança da realidade e esconder isso da sociedade é outra, completamente diferente.  Garanto que, se pudessem, essas mulheres optariam por debutar uma segunda vez, aos trinta anos, ao invés de se casar.  Aliás, tenho cá com meus botões que isso seria uma iniciativa mais legítima do que usar um pobre coitado como desculpa para realizar um sonho e, de quebra, se promover socialmente.

Por isso eu resolvi ajudar.  Ajudar aquelas mulheres, solteiras ou casadas, que ainda não entenderam que, mais importante do que se casar, é preciso aceitar ter um marido – a consequência lógica, óbvia e inexorável do casamento.  Ajudar aquelas mulheres que já se casaram, mas teimam em achar que o marido é aquela pessoa perfeita que elas conheceram ou aqueles fantoches com quem elas se casaram.  Ajudar, enfim, aquelas mulheres que já se separaram de seus maridos, por não tolerar a convivência cotidiana com aqueles seres que não conseguem entender que, a partir do casamento, lhe entregaram suas almas – na acepção mais perversa e fiel da palavra.

Meninas, entendam primeiramente que os homens não mudam.  Eles serão sempre sempre aqueles mesmos meninos – repito, meninos! – pelos quais vocês se apaixonaram, a quem vocês disseram amar e prometeram casamento (o casamento era o fim, o resto tudo era meio).  Eles sempre gostarão das mesmas coisas que já curtiam antes mesmo de vocês se conhecerem – e não é nenhum demérito para vocês conviver com essas outras paixões.  Pelo contrário, ser elevada ao patamar de poder dividir ombro a ombro um espaço com essas paixões é o mais profundo, significativo e sublime sinal de amor e devoção que vocês podem receber de um homem.  Explico: na vida de um homem, ser tão importante quanto seu carro, sua bicicleta, sua pelada semanal com os amigos, seu churrasco e seu chopp regular com a rapazeada do bairro, do colégio ou da faculdade, seus amigos mais queridos (aqueles a quem ele mais xinga ao rever), é uma façanha digna de registro, orgulho de toda e qualquer mulher sensata.  Tentar ser mais importante que tudo isso é uma tolice sem precedentes – ou melhor, com incontáveis precedentes.

Seria isso um sinal de imaturidade por parte dos homens?  Várias mulheres já me fizeram essa ponderação, em discussões acaloradas sobre o tema.  Eu respondo que não, sem titubear.  Imaturo é o homem que, mesmo gostando muito de uma mulher, não a eleva ao status de seus mais apaixonados hábitos, enrola-a, foge, dissimula, esconde.  O homem que aceita abrir mais um pouquinho de espaço em seu coração para dividir suas paixões com uma mulher é mais que maduro – é o cara perfeito para ela se casar e ser feliz para o resto da vida.

Isso significa que ele será capaz de abrir mão de ir ao estádio em um jogo ou outro do seu time de coração para acompanhá-la em um evento social.  Isso, claro, dependerá da magnitude e da importância real (importância real não é aquela que ela dá ao evento, mas aquela que o evento tem independentemente dela) do evento social na vida da mulher, da importância real do jogo para o seu time, da possibilidade de ele acompanhar o jogo por outros meios no evento social, do nível de interferência que ele sofrerá enquanto acompanha o jogo no tal evento social.  Cabe à mulher planejar que todos os aspectos favoráveis à opção do evento social se façam presentes, como: não marcar o evento para dia e hora de jogos cruciais, garantir que haverá um telão no evento exibindo o jogo e arregimentar o maior número possível de amigos dele, torcedores do mesmo time, para o evento.  Essa história ilustra bem o que estou tentando dizer.

Enfim, ter um marido – e ter sucesso na tarefa de ter um marido – é saber que você é parte do todo que compõe a vida dele; é entender que antes de você, o cosmos da vida dele já existia; é ter a consciência que você, ao ser aceita na vida dele, não precisará ser nem fazer mais nada além daquilo que você já era ou fazia quando vocês se conheceram.  Se você não mudar nunca, ele vai amar você para sempre, com a mesma alegria e empolgação juvenis do primeiro encontro.  Pelo contrário, mudar pode ter consequências drásticas.  Porque ele se apaixonou e aceitou você do jeito que você era, não naquilo que você se transformou – por mais que tenha sido para melhor.

Se ele deixava a toalha molhada em cima da cama após o banho quando você o conheceu, saiba que ele vai fazer isso sempre – e, se isso irrita você, melhor você pular fora do barco antes que a coisa fique séria demais.  Se ele fazia barulho com a boca enquanto comia quando você o conheceu – impossível que você não tenha reparado isso antes -, ele vai fazer isso sempre.  Se ele deixava cuecas sujas espalhadas pelo quarto ou pela casa quando você o conheceu, ele vai fazer isso sempre.  Se ele jogava pelada semanalmente com os amigos quando você o conheceu, sequer ouse insinuar que ele vai ter que abrir mão desse compromisso para fazer outra coisa, por mais importante que seja: você pode criar um transtorno incontornável no relacionamento ao ouvir um sonoro “não”, ou abrir uma cicatriz incurável caso ouça um conformado e submisso “sim”.

Enfim, ter um marido é entender que, não importa a idade, o homem sempre se comportará como um menino.  Você pode até se esforçar para, com muito jeitinho, tentar contribuir para o molde da sua personalidade se o apanhar muito cedo no mercado – é um investimento de longo prazo.  Poucas têm esse tino, poucas têm essa visão, poucas têm esse talento.  Mas você deve ter em mente que querer ter, na vida de um homem, um espaço maior do que ele lhe reserva, aumenta significativamente as chances de infelicidade e insucesso no casamento.  A mulher bem casada é aquela que compreende e respeita o seu lugar no coração de seu marido, não é ambiciosa nem tem pretensões além do limite do óbvio.

Agindo assim, ela certamente viverá o seu conto de fadas e será feliz para sempre.

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4 Comments

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  1. Muito bem dito ( penso isso ha muito tempo, ninguem concorda comigo)

    Se você sabe a receita do sucesso e ainda está solteira…

  2. Taí, verdade. Concordo integralmente.

    É simples, né?

  3. Homem é tudo igual!

    Por isso a receita de sucesso é a mesma para todas as mulheres.

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