Dicozó

As férias da Felícia acabaram ontem.  Ufa!  Três semanas de todas as vontades feitas e de muita canseira nela e em todos à sua volta.  Três semanas em casa, duas de casa cheia, repleta de visitas – tios, primos, parentes próximos e distantes, muita gente que veio para visitar no Natal e no Revéillon.  Não deu para manter os bons hábitos de dormir cedo, acordar cedo, horários de refeições, soninho da tarde…  Ela mesma resistia muito para não perder um segundo sequer da farra.  Só mesmo neste último final de semana, com ela exclusivamente aos meus cuidados, é que a rotina começou a ser restabelecida – na marra.

E acabaram com tranquilidade.  A volta para a escola foi mais tranquila do que eu imaginava.  Até porque, na sexta-feira, quando eu a informei que ela voltaria às aulas em breve, para rever os amiguinhos, ela disse um não tão veemente que eu temi pelo pior.  Passei o final de semana todo martelando a ideia na cabeça dela.  Funcionou, pelo visto.

Desse período todo em casa, no entanto, o saldo mais interessante foi a evolução da expressão linguística.  Como ela aprendeu a articular frases!

– O que você está fazendo aí? – perguntei a ela certo dia, vendo-a quieta na soleira da porta dos fundos.

– Estou esperando.  A Tia Márcia foi pegar o banco para mim.

Realmente impressionante.  Aquele dia eu fiquei de boca aberta, sem acreditar no que eu estava ouvindo.  E o que mais enche o papai de orgulho é ouvir uma outra pessoa ter a mesma impressão – e compartilhar isso com você, ou melhor, no caso, eu mesmo.

Dicozó
Dicozó

Essa evolução acabou se espalhando para todos os lados.  E uma das coisas que acabou acontecendo foi a criação de um jeito próprio dela de se referir às pessoas mais próximas – o que nós, adultos, convencionamos chamar de “apelidos”.  Sim, praticando um dos esportes favoritos do vovô, Felícia começou a distribuir apelidos a coisas (bonecas, artigos pelos quais ela recentemente passou a se interessar) e pessoas.

Não sobrou para quase ninguém, nem para a Filó.  Não sei exatamente a razão, mas numa brincadeira comigo, surgiu o “Dicozó”, numa clara evolução do antigo “Dicó“, que já estava quase em desuso.  E daí a Filomena – e seus diversos apelidos – acabou virando motivo para muitas brincadeiras, sempre seguidas de risadas, desde o carinhoso Fifizinha até o debochado Dicózozó, que também ela inventou.

Agora imagine o dia que eu explicar para ela que o nome de registro da Filomena é “Ice von Klein Flandeinbrot”?

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One Comment

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  1. Nossa, e eu que sempre achei que o nome da Filó fosse Filomena Moreira…

    Pois é… Vivendo e aprendendo.

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