O Cachambi responde – rolezinho

A pergunta da moda chegou no meio do bafafá sobre o assunto mais polêmico da semana.  A falta de roupa para lavar, a falta de bola rolando nos gramados e o recesso do Congresso Nacional em Brasília – tudo isso ao mesmo tempo – estão forçando a imprensa a transformar qualquer besteira em manchete.

E esse negócio de “rolezinho”?  O que você acha disso?  Você é contra, a favor, tem que acabar, tem que continuar?

Confesso que eu só procurei saber do que se tratava depois que a pergunta chegou à caixa de correio do blog.  Pelo que entendi, um bando de gente em férias escolares, que antigamente, por falta da internet e do telefone celular, ia cada um para um canto curtir as férias em família, agora se mantém em contato e resolve combinar encontros nos shoppings.  Ao invés de soltar pipa, jogar futebol, brincar de boneca, andar de bicicleta, viajar para a casa de praia do tio, vão se refrescar do verão escaldante no ar condicionado do shopping.  E daí?  Pelo que entendi, também, os lojistas estão assustados com esses encontros, porque eles afujentam seus clientes, geram pânico, fobia e sei lá o quê.  Eu, se fosse lojista, olharia isso como um oportunidade de fidelizar esses clientes.  Investiria em algo que pudesse entretê-los, criando áreas específicas para eles e oferecendo produtos que eles pudessem adquirir, serviços que eles pudessem consumir.  Quanto mais cedo eu os conquistasse, maiores seriam as minhas chances de sucesso empresarial no futuro.  Afastá-los dos shoppings, ao argumento de que a clientela elitizada – que é o foco da atividade empresarial desse segmento – está assustada é racismo.  Engana-se quem pensa que o Brasil não é um país racista.  Ele é.  Todos somos, em maior ou menor grau, externando isso mais ou menos.  Mas somos, e isso é inegável.  Somos racistas com crianças, com negros, com pobres, com doentes…  Basta ver essa política de concessão de pequenos privilégios que vigora hoje no país.  A continuarmos assim, separando os velhos em filas diferentes, os jovens fora dos shoppings, os negros em vagas reservadas nas universidades, caminharemos para um apartheid social velado.  O rolezinho, me parece, só mais uma vertente desse caminho que a sociedade brasileira optou por seguir.  E, na minha opinião, o caminho é errado.  O ideal seria incluir, unir, não afastar.

* Você tem uma dúvida, quer fazer uma pergunta? Mande-a clicando aqui, que O Cachambi responde. A pergunta a ser respondida semana que vem pode ser a sua.

Anúncios

One Comment

Add yours →

  1. Pois é. Parece que o morador do Leblon pode ir passear no teleférico do Alemão, mas o morador do Alemão não pode ir ao Shopping Leblon.

    Rolezinho de rico é tour.

Você quer comentar? Clique aqui!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: