Cão e gato

Eram quatro horas da manhã quando a Filomena acordou. Hora inabitual para ir no quintal fazer xixi.  Mas ok, eu abri a porta da cozinha e aproveitei para fazer o meu também.  Se não era a hora, ela passou a ser.

Depois de me aliviar, voltei à porta para esperar Filomena regressar.  Normalmente, é o tempo certo.  Se ela demora mais um pouco, eu balanço a chave na porta e ela acelera o retorno.  O medo de ficar trancada fora de casa, longe do aconchego da sua cama e do seu edredon, falam mais alto.

Como ela demorasse a voltar, mesmo com a artimanha do balanço da chave, assobiei.  E nada!  Resolvi, então, ir ao quintal ver o que se passava.  O que poderia ser mais interessante que a sua cama?

Com a visão meio turva pelo sono e pelas remelas que ainda estavam nos meus olhos, vi um negócio preto na escuridão, no meio do quintal, parado.  Parecia um bicho, um pássaro preto, talvez, um anu ou um jacu.  Só que parecia ter o tamanho de uma galinha.  Seria uma sombra?  Balancei o braço para o sensor da luz me captar.  Quando a luz acendeu, eu vi: era um gato.  Ao perceber a luz, ele virou o rosto na minha direção e fez aquela cara de “fudeu!“.  Nesse momento, a Filomena deu um bote por trás dele, contornando a jaqueira e quase o pegou.  O gato percebera a emboscada iminente e correu para debaixo do carro.

Resultado da briga
Resultado da briga

Fui atrás – e esse foi o meu erro.  Ele saiu debaixo do carro assutado e deu de cara com a Filomena novamente.  Teve início então, no meu quintal, a cena de perseguição mais espetacular que eu já presenciei na vida.  Um whippet caçando um felino vira-lata.  Não fosse pelas curvas feitas nas partes mais lisas do quintal, como a garagem e a varanda, o gato não teria resistido muito tempo.  Foram três voltas em zigue-zague, com lesas, acelerações e freadas sucessivas – coisa de gato e rato, literalmente.

Eu observava aquilo com um misto de admiração e desespero.  Gritava para que a Filomena parasse, mas queria, ao mesmo tempo, ver onde e como aquilo iria terminar.  O gato acelerava e eu só via seus olhos brilhando na escuridão, a Filomena atrás, como um whippet sói ser.

Até que o gato cometeu um erro estratégico na sua corrida.  Fez uma curva longa numa área onde a Filomena tinha boa aderência, o que não lhe permitiu ganhar distância para continuar a corrida.  Além disso, ele terminou a curva de frente para mim, o que o fez hesitar por um tempo sobre como continuar a corrida, por tempo suficiente para que fosse alcançado pela Filomena.  Engalfinharam-se.  Até o gato se desvencilhar e iniciar nova corrida, que terminou na árvore, onde o gato subiu – a Filomena não.

Vai virar churrasco
Vai virar churrasco

O gato ficou lá em cima da árvore o resto da noite e a manhã toda.  Depois desapareceu.  E acho que não vai mais voltar.  Porque se voltar…

Não sei se o gato sofreu alguma coisa, além do susto e do cansaço em decorrência do esforço da corrida, mas a Filó ficou com essa marca no focinho, provavelmente resultado de um arranhão feito pela unha do gato.  Feio, mas vai melhorar.  Poderia ter sido pior, se fosse no olho, por exemplo.

*Ambas as fotos do post foram tiradas pela D. Miriam, na manhã seguinte ao episódio.

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One Comment

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  1. So de curiosidade, qual foi o jantar do dia?

    Só teve churrasco no domingo.

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