Casinha

O banheiro é uma invenção relativamente nova na história da humanidade.  Surgiu no século XVIII.  Não é à toa que a maioria dos castelos europeus não tem um banheiro sequer na sua planta original.  Os poucos encontrados ou estão do lado de fora ou derivam de restaurações feitas recentemente com o intuito de viabilizar a visitação turística de massa.  No geral, as casas eram desprovidas de instalações sanitárias.  Os dejetos eram acumulados em penicos, depois despejados em cursos d’água ou enterrados.  Não eram raras as epidemias de doença transmissíveis pelas fezes, como o cólera.  Lembro de ter lido um livro sobre o Rio de Janeiro do século XVII, que consistia numa compilação de cartas enviadas por estrangeiros residentes na cidade aos seus países de origem, contando das suas impressões acerca da cidade.  Quase todos os estrangeiros relatavam a nojeira de viver num lugar onde, ao pôr do sol, legiões de negros escravos desciam as ruas em direção à Baía da Guanabara para jogar os dejetos acumulados ao longo do dia nas casas de seus senhores.  A fedentina, onipresente nos locais próximos às margens da baía, era impossível não ser notada por todos.  Qualquer semelhança com os dias de hoje é mera coincidência.

Quando os banheiros surgiram e se tornaram um objeto presente na casa da maioria das pessoas, eles eram adaptações às casas já existentes.  Era comum que eles se localizassem fora das casas, numa meia água no fundo do quintal.  Os mais velhos até hoje chamam o banheiro de “casinha” por causa disso.

Tudo isso porque a Felícia ultimamente só vai ao banheiro na casa da vovó, onde se chega passando através de um portão nos fundos do quintal de casa.  Ontem foi uma dificuldade convencê-la a ir ao banheiro em casa, já que a vovó havia saído para passear com o vovô.  Quando sente vontade, ela avisa e vai: “Papai, quero ir na casinha da vovó fazer cocô…”  E vai para a casinha, literalmente.  E não tem quem segure.

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One Comment

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  1. João Guilherme também tem umas manias pra fazer cocô que eu não consigo entender… por exemplo, ele só consegue ir ao banheiro pelado.

    Essa parada de ficar com o pé algemado na calça não tá com nada.

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