A bola pune, mas a bola recompensa

Ainda não pingou no Youtube, mas deixo aqui um link que nem sei se vai funcionar.  Cliquem e experimentem.  Se não funcionar, procurem ver em outro lugar.  É o último lance da partida.  É incrível: o segundo gol da Suíça sobre o Equador.  Mas vejam o lance todo, desde o início da descida do Equador para o ataque.

Manjam aqueles gols que só o Flamengo faz em finais?  Aqueles gols espíritas, em cima da hora, improváveis, que saem de onde menos se espera?  Foi um desses.  Porém, o mais interessante não é isso.

Nesse jogo, o que vai ficar para a história foi a sequência de erros por parte do Equador e acertos por parte da Suíça e da arbitragem.  Que lance!  Começa com uma descida boa do Equador para o ataque.  Boa trama, bem trabalhada.  Pela direita, Valencia acelera – que gás! – e, ao invés de afunilar o jogo e fuzilar o goleiro, prefere cruzar rasteiro para a entrada da área.  Uma opção razoável, reconheço.  O seu companheiro, Arroyo, tinha melhores condições que ele de fazer o gol, mas não muito melhores.  Arroyo recebeu, dominou mas não chutou.  Demorou demais.  Pensou demais.  Àquela altura do jogo, acréscimos do segundo tempo, isola a bola mas não fica parado na entrada da área pensando onde vai chutar.  Deu mole.

Behrami: a bola recompensa
Behrami: a bola recompensa
Arroyo: a bola pune
Arroyo: a bola pune

Foi travado, perdeu a bola.  Pior que isso, deu margem a um contrataque suíço que se revelou fatal.  Behrami tomou-lhe a bola, ergueu-se e tirou forças sabe-se lá de onde para arrancar em direção ao gol equatoriano.  Confesso que fiquei meio bolado quando vi aquela disposição – os suíços estavam com três palmos de língua para fora já há algum tempo.  Sofreu a falta mas ergueu-se e deu continuidade à jogada.

Pausa na narração: a mesma bola que puniu o Arroyo por não ter sido chutada ao gol, agora recompensaria com juros e bônus o Behrami pela sua persistência.  E o juizão, que fez muito bem a sua parte, reconhecendo a vantagem do time suíço, está de parabéns!  Anotem aí: ele é do Uzbequistão, mas entende mais de futebol do que muito árbitro com formação universitária (referência velada e debochada ao japonês que apitou o jogo do Brasil)…

O resto, os deuses do futebol fizeram: quem não faz, leva.  A Suíça aplicou o golpe de misericórdia no Equador.  Eles que virtualmente disputam a segunda colocação no grupo, praticamente selaram sua sorte nesse lance.  A mesma bola que puniu o Equador, recompensou os suíços.

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One Comment

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  1. Um dos lances mais maneiros da Copa, sem dúvida. Eu mesmo não me contive e falei “bem feito!” depois do gol.

    Lance antológico. Tive tanto prazer em vê-lo quanto tive de ver aquele contrataque perfeito de Senegal.

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