Deu jegue

Em Fortaleza, Uruguai e Costa Rica entraram em campo para o primeiro duelo do Grupo D – o grupo da morte.  Com três campeões mundiais e a Costa Rica, o apelido já tinha sua razão de ser.  A Costa Rica, coitada, era aquele time que faria o papel de pato no grupo – decidiria o destino das outras três seleções no saldo de gols.

Com essa certeza na cabeça, o Uruguai entrou em campo.  Com a faca nos dentes, a Costa Rica entrou em campo.  O Uruguai tinha certeza que a vitória tranquila seria questão de tempo.  A Costa Rica queria provar ao mundo que não era uma Espanha um saco de pancadas.

Não demorou muito para o Lugano mostrar toda sua classe.  Simulou uma falta na defesa, numa bola parada da Costa Rica, e depois simulou outra no ataque.  Pênalti maroto, cavado, anunciado, encenado, exagerado.  Mas, ainda assim, um pênalti.  Cavani cobrou muito bem.  Uruguai 1×0.  E foi só.  Nem o Uruguai quis mais no primeiro tempo, nem a Costa Rica tentou algo eficaz para fugir da sina anunciada.  Jogo morno, insosso.  O papo no vestiário do Uruguai deve ter sido assim:

– E aí, o que é que a gente vai fazer hoje à noite?  Vamos na feirinha da Beira-Mar?
– Demorou!  Tô louco para comer um sorvete lá no 50 sabores.

Houve quem nem voltasse para assistir o segundo tempo.  A falta de fé no futebol prega peças nos incrédulos.  Ímpios infiéis – com o perdão do pleonasmo!  Perderam o baile costarriquenho do segundo tempo.  Ao invés de fazerem uma linha de cinco na zaga, fizeram-na no meio campo.  Anularam a saída de bola uruguaia e passaram a recuperar bolas em condições de ataque melhores.  Viraram o jogo em três minutos e voltaram para se defender.  Cozinharam o Uruguai até o golpe final de misericórdia.  Passe de Campbell – o moleque joga muita bola.  Finalização perfeita.

O nome do jogo!
O nome do jogo!

Se, até ali, o Uruguai mantinha a classe, era porque ainda acreditava no empate ou na vitória.  Com 3×1 no placar, seu comportamento mais previsível se revelou.  Baixaram a porrada no Campbell quando ele puxou a bola pela terceira vez seguida para a bandeirinha de escanteio para ganhar tempo, já nos acréscimos.  Cartão vermelho muito bem aplicado.

Como se diz por aí, mais vale um jegue que me carregue que uma zebra que me derrube.  Lá no Ceará.

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One Comment

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  1. Bela esculachada no Uruguai, que tem de aprender que futebol não é palhaçada.

    Mas foi só, eu acho. A Costa Rica não vai aprontar mais nada.

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