Eu, eu, eu! Foi no Maraca que a Espanha se deu mal…

Depois da tempestade vem a bonança.  Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe.  Tudo na vida é passageiro, menos o motorista e o trocador.

Esses e tantos outros ditados podem muito bem retratar o alívio de todo o planeta com a volta do bom futebol à Copa do Mundo, depois dos maus exemplos de ontem – Brasil inclusive.  Futebol ruim representativo da exceção que só existe para confirmar a regra geral da Copa do Mundo: futebol ofensivo, cheio de gols, com ambição de vitória, bem jogado e competitivo.  Copa do Mundo é Copa do Mundo: quem não entende isso e joga para empatar tem mais é que perder e ser eliminado.  Se não agora, ao menos que não demore muito a acontecer.

Nunca um estádio foi tão cruel com um time, seja ele um clube, seja ele uma seleção.  O Maracanã tem aversão aos espanhóis.  O Maracanã tem vida e alma, ele pulsa e intimida, por vezes é quente e acolhedor e outras vezes é frio e indiferente – e está aí mais uma prova de que isso é verdade.  Acho que se a Espanha pegasse o América num jogo de vida ou morte no Maracanã, perderia.  Para a Espanha, mais do que derrota, o Maracanã é sinônimo de vergonha.

Mas a Espanha não tem tanto do que se envergonhar.  Assim como a derrota do Brasil e a vitória da Itália na Copa de 1982 fez muito mal aos destinos do futebol, mergulhando-o numa obscuridade defensiva nojenta que durou quase vinte anos.  O futebol ofensivo ressurgiu um pouco com o Brasil de 2002, perigou com a Itália de 2006 mas firmou-se definitivamente com a Espanha de 2010.  A partir daquela vitória marcante – e das vitórias do Barcelona -, o futebol voltou a ser ofensivo, bonito, vistoso.

A Espanha mostrou ao mundo que é possível ser competitiva, jogar bonito e vencer.  Todos os outros a seguiram, mais ou menos, no desejo de batê-la e de imitá-la.  A sua queda hoje não representa o fim de uma era, como se está a alardear em todos os noticiários esportivos desta noite.  Ela foi só o início de uma era – a era do futebol ofensivo.  Outros bons times o vão suceder, espanhóis ou não.  O legado dele, porém, tomara dure muito tempo.  Até, pelo menos, que outro time medíocre e defensivista volte a preponderar na cena mundial.

Anúncios

5 Comments

Add yours →

  1. A Espanha prestou mesmo um grande serviço ao futebol, mas talvez estejamos vendo o fim de uma fase – não de um ciclo. O tic-taca é bonito e envolvente, mas seu maior pecado sempre foi finalizar pouco. A Copa vem mostrando um futebol de menos posse de bola e mais chutes a gol, por isso a alta média de gols atual. Que continue a ser assim por um longo tempo.

    Inegável isso. Foi muito melhor a Espanha ter ganho a Copa do Mundo passada do que a Itália ou o Brasil.

  2. Discordo, Piolhete. O futebol da seleção espanhola era realmente diferente do futebol defensivo que imperava até antes dela, nisso vc tem razão. Mas o seu futebol de posse de bola não era ofensivo. Um time que é campeão do mundo com 8 gols em 7 jogos (sendo que das oitavas até a final todos os jogos foram 1×0) não pode ser considerado ofensivo. O próprio Barcelona não tinha um futebol ofensivo, mas fazia BEM mais gols que a Espanha por causa de um tal de Messi.

    Se a Espanha e o Barcelona influenciaram a tendência ao futebol mais ofensivo que vemos hoje, é porque o “counter”, o remédio contra o futebol lateral e (ao menos para mim) bastante entediante do tiki-taka era justamente o ataque, o jogo de transição rápida, o futebol vertical de Borussia Dortmund, Real Madri, Atlético de Madri e Bayern de Munique (não esse do Guardiola, mas o anterior, do Heynckes).

    Portanto, a influência do chato futebol de posse de bola exagerada na retomada do futebol ofensivo é meramente indireta, ou seja, este foi utilizado como forma de anular aquele.

    Nesta copa mesmo pudemos ver como o contra-ataque rápido e os passes em profundidade acabam com a chatisse do tiki-taka, que pode ter 70% de posse de bola e mesmo assim perder de 5×1.

    O Tiki-Taka era baseado em posse de bola, infiltração dos meias, velocidade na virada de bola e marcação pressão na saída de bola. A solução desenvolvida na Alemanha para sobrepujar o Tiki-Taka foi o futebol de correria. Os times alemães começaram a correr 10%-20% mais que os espanhóis para conseguir marcar o Tiki-Taka. Para fugir da pressão, verticalizaram o jogo. O Tiki-Taka era ofensivo, mas não era contundente. O antídodo é contundente mas não necessariamente ofensivo.

    • Rapaz, engano meu ou o Márcio concordou comigo?

      Não sei. Não li tudo o que ele escreveu (brincadeira).

      • Em linhas gerais sim. 😀

        Só não acho o tiki-taka bonito. Pode até ter sido no início, quando era inovador e a alternativa era cada time enfiado com 11 sujeitos numa trincheira, sem querer sair dali para não tomar gols. Mas futebol sem ataque é, para mim, feio por princípio. E esse tiki-taka virou um tédio sem tamanho nos últimos anos e ainda fez uma seleção ser campeã mundial fazendo só 8 gols (placares “emocionantes”: 0x1 Suíça, 2×0 Honduras, 2×1 Chile, 1×0 Portugal, 1×0 Paraguai, 1×0 Alemanha e 1×0 Holanda).

        O maior problema do Tiki-Taka foi não ter atacantes à sua altura. Tivesse a Espanha um Ronaldo, um Adriano (em boa fase), um Romário, ele não seria tão entediante. Com Fernando Torres e David Villa, não há esquema revolucionário que sobreviva.

        • Concordar em linhas gerais já me deixou contente. Mas acho que estamos todos falando a mesma coisa, no fim. O problema do tiki-taka é mesmo a falta de finalizações, e isso aconteceu porque a Espanha não só nunca teve atacantes decentes como nunca nem tentou experimentar uma solução para isso, mesmo porque estava ganhando.

          Esse foi o problema do Tiki-Taka para os espectadores. Para a própria Espanha, o problema foi outro.

Você quer comentar? Clique aqui!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: