Como vai o Fergus?

Quem pergunta sobre o Fergus, normalmente cai no erro de dirigir a pergunta à Felícia.  Nada pode ser mais nefasto, nos dias de hoje.  Felícia ainda não se acostumou a não ser o centro das atenções dentro da família.  Nada a importuna mais, nada a chateia mais, nada a faz se sentir mais diminuída do que ser questionada acerca do irmão.  Chegou ao ponto de ela falar o seguinte para a minha tia, na visita que recebemos esta semana: “vocês vieram ver o meu irmão?  Pode entrar, ele tá lá dentro.”  A frieza só foi quebrada porque a minha tia é craque no assunto e já estava devidamente brifada.  Disse que viera vê-la, e não ver o Fergus.  Deu-lhe um presente e presenteou o Fergus longe da sua vista.

Na última quarta-feira, aconteceu o mesmo na saída da escola.  Todas as mães/avós chegavam perto de mim e perguntavam à Felícia como estava o irmão.  O tempo fechou e ela não queria nem voltar para casa.  Aliás, desde então ela tem evitado voltar para casa.  Não quer, provavelmente, se deparar com a nova realidade do lar.  Prefere a segurança da realidade da escola, onde ela se sente mais à vontade socialmente.

Os dias têm sido bem difíceis…

Minha mãe diz que, quando a minha irmã nasceu, eu abria os bicos de gás do fogão e deixava o gás vazando na cozinha.  Eu não me lembro disso, não posso fazer prova em meu favor.  Mas, como toda mãe, a minha adora denegrir a imagem do filho contando seus podres de infância – e, na ausência de qualquer evidência, essa história permanece como provavelmente verdadeira.

Felícia ainda não se aventurou com facas, gás ou outros objetos letais.  As birras, porém, têm sido incompatíveis com seu histórico de bom comportamento.  Sinto-me com uma adolescente dentro de casa – e já imagino como será difícil essa fase…

Por isso, sempre que dá, oriento as pessoas a se aproximarem da Felícia e perguntarem primeiro por ela: como ela está, o que ela tem feito, quais são as novidades, como ela tem feito para ajudar a cuidar do irmão…  Enfim: pelo menos nesse momento, ela tem que ser o centro das perguntas.  Com o tempo, se ela não descobrir o gás antes, as coisas poderão voltar à programação normal.

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2 Comments

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  1. “… denegrir a imagem”.
    Essa foi forte! Uma mãe jamais faz isso com o próprio filho.
    Mostra o tamanho dos seus problemas.

    Mostra para os outros, né?…

  2. Putz, que dureza! Imagino como seria complicado dar um irmão(ã) a JG. Outro dia perguntamos para ele, assim, de bobeira, se ele queria ter um irmão e ele foi curto e grosso: “não”.

    Agora, essa do gás… tenso, hein?

    Eu até hoje duvido dessa história do gás; só dou um pouco de crédito a ela porque é a minha mãe que conta.

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