É difícil…

– Maria, estive no Brasil e vi que por lá os brasileiros gostam de empilhar casas umas sobre as outras…
– Como assim, ó pá?
– Eles constroem uma casa, depois outra, depois outra, e vão construindo uma em cima da outra tentando chegar ao céu!
– Jura, Manoel?  Que esquisito…  Por acaso não sabem que não é possível chegar ao céu?
– Não sei…  Apesar de nunca conseguirem, eles continuam tentando.  E, sempre que não conseguem, escrevem lá embaixo: “Edifício”!  E saem a tentar outra vez em outro canto.

—*—

Difícil não é chegar ao céu empilhando uma casa sobre a outra.  Difícil é viver em edifícios.  Eu que morei a vida toda em casa, agora sou obrigado a dividir “partes comuns” com outras pessoas com diferentes visões de mundo, de propriedade privada, de vida comunitária, de cessão de espaço, de divisão de bens, de partilha e de senso de ridículo.  E, por partes comuns, entenda-se desde a caixa d’água até o portão de garagem, passando pelo porteiro.

–*–

–*–

O porteiro não é uma pessoa com quem eu deva conviver.  Ele é uma parte comum do edifício.  Pertence a todos e deve ser dividido conforme estabelecido nas convenções, normas, e outros regulamentos que orientam os padrões de conduta dos moradores do edifícil… ops, edifício.  Para piorar, o conflito de visões de mundo que condôminos e o porteiro têm faz a convivência ser ainda mais difícil.  Alguns condôminos acham que o porteiro é um serviçal particular; outros que ele é um quebra-galhos comunitário; outros ainda que ele é um segurança; outros prefeririam que ele não existisse (eu me incluo nessa categoria) e até fingem que ele não existe (também me incluo nessa); ele tem certeza que é o dono do prédio.

–*–

É bastante provável que o porteiro se torne peça central, protagonista e vilão (não estou predisposto a tratá-lo como herói) de diversas histórias aqui no blog, desde que eu passe a conseguir entender o que ele fala.  Os outros condôminos também, com a vantagem (para vocês, vantagem; para eles, desvantagem) que eu entendo o que eles dizem.  Serão causos, piadas, situações ridículas, que eu tenho visto nessa convivência difícil.  Morar em casa, sozinho, isolado, sem dividir sequer uma parede com vizinhos, ainda me parece bem mais fácil e conveniente, embora eu reconheça ser uma convivência também com seus problemas, vantagens e desvantagens.

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3 Comments

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  1. Vale dizer que você também é um tanto quanto difícil, né? 😉

    Nunca disse que não era.

  2. Olha que o porteiro pode ser uma peça assaz conveniente na dinâmica geopolítica edilícia.

    Assaz inconveniente também.

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