Verbos irregulares

Aposto que a Sarita vai gostar disto.

Uma das coisas que eu acho muito legal em crianças é perceber o desenvolvimento da fala.  Se um dia eu comemorei efusivamente o fato de a Felícia ter articulado uma única frase, hoje eu comemoro o aperfeiçoamento dos fonemas da fala, a articulação de raciocínio e o uso de palavras inusitadas e pouco comuns à sua idade.

E, para mim, é incrivelmente interessante ver como se dá o processo de aprendizagem da língua e o exercício desse conhecimento através, principalmente, da fala.  Já percebi, por exemplo, que a flexão de gênero e número não é dificuldade para a Felícia.  Ela trabalha bem as duas variáveis, se enrola só um pouquinho com flexões de número mais complicadas ou flexões de gênero de palavras bem difíceis – essas coisas que mais de 50% da população brasileira não saberia a resposta exata.

Mas verbos irregulares ela ainda não consegue acertar 100%.  É muito engraçado perguntar se ela sabe fazer alguma coisa e ouvi-la responder:

– Eu sabo!

Ou perguntar se ela fez determinada coisa e ouvi-la responder:

Eu fazei!

Ela entende a flexão verbal, sabe como funciona e sabe aplicá-la; é perfeitamente possível perceber isso.  O problema fica adstrito aos verbos irregulares, quando a flexão se dá de maneira diferente dos verbos regulares.

Não sei o método mais eficiente de ensinar o correto (se alguém souber, deixe a dica).  Corrijo na hora: “é ‘eu sei’, repete” ou “eu fiz“, e por aí vai.  Ela repete certo, mas não assimila.  Na discussão seguinte repete o erro.  Corrijo novamente, e assim vai.  Um dia ela acerta.

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4 Comments

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  1. Pra que pressa?
    A alfabetizaçao vem aí.
    Só Salvador flexiona errado aos 60.

    Muita gente flexiona errado mesmo depois da alfabetização.

    • Isso quando o meio social é precário. O que não é o caso. Ele tem boa escola e está rodeada de pessoas que não só falam corretamente como atentas a corrigi-la com sabedoria.

      E eu falei alguma coisa diferente disso?

  2. De qualquer forma é interessante ver que ela ‘erra acertando’ o padrão de conjugação para o verbo daquela conjugação. Ponto pra ela.

    Erra menos do que se falasse “a gente somos”.

  3. Tem também o “eu di” (do verbo “dar”), e o indefectível “eu pido” (do verbo “pedir”), que é o que eu mais gosto.

    “Eu di” acontece com frequência, mas no verbo pedir, sai “eu pedei” (um perigo!).

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