O doce ideal

Há alguns minutos, um post publicado num blog que eu seguia silenciosamente chamou minha atenção.  Não resisti, comentei.  Comentei mais porque o assunto me interessava do que por qualquer outro motivo.  Doces.  Doces são meu ponto fraco.  Tenho vários pontos fracos.  Doces são apenas um deles.

Mas doces…  São tantos, de tantos jeitos, tamanhos, cores, ingredientes, sabores…  Nem todos irresistíveis.  Qual seria, então o meu doce ideal?  Foi sobre isso que a Sonia escreveu – e me inspirou a escrever.

O ideal não existe.  Há parâmetros, aproximações, diretrizes.

Doce tem que ser doce.  Doce que não é doce, não é doce.  E a medida da doçura é aquela do chocolate.  Enche a boca, satisfaz a ansiedade, permite sentir o sabor restante do doce e se sobrepõe ao sabor salgado e amargo da vida (ou do almoço).  A combinação de doce com salgado é apelativa, sinal de exagero no doce, que precisa ser compensado artificialmente, ou sinal de insegurança do doceiro na medida do doce.

Mais que ser doce, ele tem que parecer doce – e ter a aparência certa.  A expectativa visual do doce deve corresponder ao seu conteúdo.  Não existe coxinha que não seja de frango.  Não existe quibe que não seja de carne.  Doces brancos devem evocar o chocolate branco ou a preponderância de côco na receita, por exemplo.  No que tange aos doces, as surpresas sofrem grande limitação; podem existir, mas dentro de uma certa previsibilidade.

Um bom doce deve ter estrutura compatível com seu porte.  Pode ser grande, pode ser pequeno, pode ser de tirar pedaço ou de comer inteiro, tanto faz.  Deve se sustentar por si só ou ser autêntico no propósito de não ter sustentação.  Essa característica é essencial para imaginar a consistência da deglutição, o tempo de degustação, a forma de manuseio no interior da boca, a completa experiência sensorial.  Aqui, também, não há muito espaço para a imprevisibilidade, para a surpresa.  Doces recheados devem ter recheios de consistência compatível com a cobertura que o envolve.

A apresentação também tem sua importância: o doce não se deve permitir comer de uma só vez, mas também não deve parecer infinito.  Ele deve se permitir ser aceito e repetido ou rejeitado na primeira prova.  Não pode se permitir cem por cento; deve reservar-se um pouco para si.  Em quem o come deve ficar o desejo de raspar o tacho, mas não a gula de pedir mais um.

Daí vem outra característica essencial – a última: a suficiência.  Todo doce pode, em tese, ser produzido em grandes quantidades.  A quantidade ideal, porém, não deve ser tão pouco que não lhe permita saborear nem tanto que se lhe permita enjoar.

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3 Comments

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  1. doces? guloseimas? chocolate? esse sim, é a minha tentação. a gula fica consubstanciada no que ao chocolate diz respeito. dificilmente resisto! 🙂

    Para mim valem quaisquer doces. Inclusive chocolate.

  2. “Doce tem que ser doce. Doce que não é doce, não é doce”. É exatamente isso, não tenho nada a acrescentar.

    A questão é que não é só isso, mas é essencialmente isso.

  3. Muito bacana seu espaço. Gostei muito…

    Obrigado. Volte sempre.

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