O baile de carnaval

Assim que saiu da escola, Felícia me disse:

– Papai, eu combinei com a Carla Moreno que ela vai de Ana e eu vou de Elsa, tá?

Isso foi na quarta-feira.  Felícia se referia ao baile de carnaval, que seria realizado na escola no dia seguinte.  E para um bom entendedor, meia palavra basta.  Aquilo não era um pedido: avisar-me era um favor que ela me fazia.  Aliás, essas escolas de hoje em dia andam muito modernas.  No meu tempo não tinha nada disso – nem aula antes do carnaval, muito menos festa (de qualquer natureza) na escola.

Cheguei em casa, avisei o “combinado” para a Fiona.  A fantasia da Elsa – a mesma que ela usara na sua festa de aniversário – ficou separada, no cabide, de véspera.

—– x —–

Ontem, 6:20h, peguei a fantasia no cabide e fui ao quarto dela acordá-la.  Sempre sou eu quem faz isso lá em casa.  Fiona fica dormindo.

Já percebi que a rotina é o segredo do sucesso.  Mas, como manter a rotina num dia em que, ao invés de vestir o uniforme, é necessário vestir uma fantasia para lá de complicada?  Eu só atentei para isso naquela hora, eu tinha que pensar em alguma coisa.

A necessidade é a mãe da evolução.  Nas horas de maior desespero surgem as melhores ideias (ou não).  Eu tive a minha.

Abri a cortina, entrou aquela luz toda no quarto e ela nem se abalou.

– Bom diaaaa!!!  Hoje é dia de baile de carnaval e… adivinha com que roupa você vai para a escola?

– Eu não quero ir para a escola!

Eu tinha esperança que ela fosse se lembrar da ansiedade do dia anterior.  Sem me abalar com o balde de água fria, porém, continuei o discurso planejado com a mesma empolgação.

– De Elsa!!!  Do Frozen!

Exibi a fantasia pendurada no cabide.  Ela sequer abriu o olho.

– Papai, ainda não tá na hora.  Vamos combinar uma coisa?  Quando estiver na hora eu te falo, tá?

– Mas tá na hora sim.  Meu celular já tocou.  Vamos levantar e vestir a fantasia para ir para a festa!?

– Papai, espera um pouco.  Daqui a cinco minutos você volta, tá?

Tive que dar o braço a torcer.  Ainda havia tempo.  Saí, esperei cinco minutos e voltei à carga.

– Pronto, já passaram cinco minutos.  Agora vamos, né?

– Não passaram cinco minutos nada!

– Vamos colocar a fantasia???

– Não quero!

– Então vamos colocar o uniforme da escola.  Escolhe: a fantasia ou o uniforme?

Agora foi a vez dela dar o braço a torcer:

– A fantasia!

– Então levanta.  Se ficar deitada vou colocar o uniforme.

– Pronto, papai!

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3 Comments

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  1. ansiedade paternal, valeu a estratégia! 🙂

    Não chamo de ansiedade, chamo de medo.

  2. E viva o carnaval!

    Viva.

  3. Adorei! Ri demais com a ilustração da história.

    Deu trabalho…

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