O Aquário de São Paulo

A nossa primeira atração turística em São Paulo foi o Aquário da cidade.  Bom, entenda-se: não é o aquário da municipalidade, mas um aquário existente no município.  É um empreendimento privado, acanhado, pequeno.  Eu julgava que, por ser em São Paulo, a terra dos grandes empreendimentos, fosse ser algo maior.

Ele fica num local meio ermo, no meio de uma vizinhança bastante residencial e chegar lá é tarefa para um GPS.  Era uma segunda-feira e estacionar ali perto foi bastante fácil.  Não tive pena dos vallets, que me observaram estacionar com maestria numa vaga gigantesca quase na porta do aquário.  Eles têm público em São Paulo.  O que não falta é gente que não tem paciência nem capacidade técnica para estacionar o carro.  Não é o meu caso.

Lá dentro, a visita é legal mas não vale nem o deslocamento nem o preço.  Não acho que manter um aquário seja fácil nem barato.  Mas ver os ambientes acanhados, comparados com outros aquários que eu já conheci no mundo (Baltimore e Barcelona, por exemplo), me deixou um tanto frustrado.

AquárioA visita foi curtinha.  Só demorou mais de uma hora porque o Antônio sentiu fome.  Felícia curtiu.  Viu o tubarão – até eu senti medo daquele tubarão nadando na minha direção – e ficou falando nele boa parte da viagem.

Algumas coisas, no entanto, devem ser ditas.  Não em tom de crítica ácida, mas para reflexão dos proprietários do Aquário.

Primeiro: dinossauro não é peixe.  Não tem nada a ver colocar dinossauros num aquário – especialmente aqueles carniceiros com dentes afiados.  Quer entreter crianças com dinossauros, abre outro parque temático.  Crianças não são otárias.

Segundo: não vi peixes-boi, embora as placas ostensivamente fizessem propagandas da sua exibição.  Também não vi sereias.  E, mesmo que as tivesse visto, acharia aquilo meio tosco (veja este vídeo e diga se concorda ou não comigo).  Crianças podem até ficar ligeiramente encantadas, mas aquilo não parece nada autêntico, nem natural àquele ambiente.

AquárioTerceiro: as questões ligadas à falta da água e sua preservação poderiam ser melhor exploradas.  O pequeno tanque com peixes extintos do Rio Tietê (digo “extintos” porque acredito que nenhuma forma de vida seja capaz de sobreviver no Tietê) é prova de que o assunto não é levado tão a sério quanto deveria e poderia.

Quarto: a lojinha poderia ser melhor, com artigos melhores, mais encantadores… Eu não me senti nem um pouco propenso a comprar nada ali.  Principalmente depois que eu vi as duas atendentes dando um chilique por terem visto uma barata sair de uma das gôndolas e se esconder debaixo da estante onde está localizada a máquina registradora.  Aliás, mesmo que eu quisesse comprar, elas não iriam me vender, para não ter que chegar perto daquela estante.

Quinto (e último): a fórmula “hambúrguer e batata frita” encanta as crianças mas não encanta mais os adultos – pelo menos não a mim e à Fiona.  Nós adoramos hambúrguer e batata frita, mas sempre que houver outra opção mais saudável (mesmo que a opção seja comer em outro lugar), nós vamos preferir a opção.  Em tempos de pregação de palavras pela preservação da água que, em último lugar, significa saúde, seria bom que as lanchonetes dos parques de entretenimento acompanhassem essa tendência e passassem a oferecer frutas e outras coisas mais leves como lanches aos seus visitantes.

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2 Comments

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  1. Tomara que os proprietários façam uma reflexão quanto à parte educativa do que é proposto.

    #ficaadica

  2. A questão da crise da água não parece ter sido levada a sério em nenhuma área por lá.

    Mas vão matar os peixes de sede?

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