Tirou onda

Domingo é dia de levar as crianças e os bichinhos de estimação à pracinha.  Sempre que podemos, levamos a patota: Fergus, Felícia e Filomena.  Fergus adora passear, gosta de olhar o mundo, se irrita quando está em casa, se acalma quando põe o pé na rua.  Felícia gosta de brincar no escorrega e na gangorra; não curte muito o balanço; também gosta de brincar de esconder.  Filomena gosta de brincar de bola; as solas de suas patas lisas demais, porém, consequência da ausência de um quintal em sua vida, não permitem mais que ela se esbalde na rua.  A última vez que fiz isso, ela voltou para casa com as quatro solas sangrando.

E sempre que aparece alguém com um cachorro bonito ou grande, as pessoas naturalmente abrem espaço para vê-lo passar.  Uma atitude natural, de admiração e respeito.  Com a Filomena isso às vezes acontece.  Ela é diferente, chama a atenção.  Sem coleira mais ainda.

Há umas três semanas aconteceu o inusitado.  Notei uma movimentação anormal na multidão – não chegava a ser uma multidão, na acepção precisa da palavra, mas havia bastante gente na pracinha.  Havia algo acontecendo e eu ainda não sabia o que era.  As pessoas estavam abrindo alas para uma garota passar.  Julguei logo fosse bonita, lembrando de uma cena que jamais sairá da minha cabeça: a Danielle Winits passeando em trajes de malhar no Magic Kingdom, lá pelos idos de 1996, com 22 anos, ou seja, no auge – e o povo inteiro abrindo alas para ela passear majestosamente pelo parque.

Não era a Danielle Winits.  Nem ninguém que a valesse.  Muito pelo contrário.  Era uma menina de uns quinze ou dezessete anos, dessas que passam despercebidas em qualquer multidão.  Ato contínuo, olhei para o cachorro: talvez fosse dele a majestade a quem todos emprestavam o respeito.  Não era: o cão era um vira lata daqueles bem comuns também.  Preto, peito branco, rabo enrolado sobre as costas.

O que seria, então?

Continuei olhando a cena, passei a prestar atenção aos detalhes.  Até que vi, finalmente.  Ao redor do seu pescoço, e descendo para os braços, uma jiboia.

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2 Comments

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  1. É pela “abrir alas” mesmo”!

  2. Mas ZERO chance de eu ficar a menos de 50 metros dessa moça!

    Acho que todos ali pensaram o mesmo.

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