O Caso Campana – parte 1

Matriz de Nossa Senhora da ConceiçãoEm uma vizinhança mais ou menos remota de uma cidade mais ou menos grande de um país mais ou menos distante, um jornal mais ou menos local recebeu uma carta mais ou menos sincera e resolveu publicá-la mais ou menos na íntegra.  Ela dizia o seguinte:

Bom dia, 

Passam um pouco das oito horas da manhã e eu fui mais uma vez acordada por esse maldito sino.  A minha paciência, hoje, se esgotou.  Trabalhei até tarde ontem e preciso dormir para me recompor e continuar a trabalhar.  Não acho justo que, a pretexto de manter uma tradição medieval, toda a vizinhança seja obrigada a ouvir um barulho tão alto tão cedo.

Foi-se o tempo em que todos utilizavam o badalar do sino como referência para as suas ações.  No mundo atual, com smartphones, despertadores, e-mail e inúmeros outros meios de comunicação ágil e eficiente, é desnecessário o uso do sino para convocar fiéis para as missas.  Aliás, antes fosse essa o único objetivo do sino.  Ele toca de hora em hora e, às vezes, além de badalar, também toca música!

Que absurdo!  Eu não concordo em ser coagida a ouvir a música alheia, seja do vizinho em festa, seja do sino da igreja.  Eu tenho o direito de não ter a minha casa invadida por quem quer que seja.  Tenho o direito à minha privacidade e, mais sagrado que o próprio sino, ao meu sono.

O padre precisa entender que há pessoas nesse mundo que não acordam às sete horas da manhã para trabalhar e saem às cinco horas do trabalho.  Meu corpo não funciona antes do meio dia e atinge o auge do rendimento após a meia noite – horário no qual eu não incomodo ninguém, razão pela qual reivindico o direito de não ser incomodada de manhã.  Já basta o barulho infernal dos ônibus e das buzinas contra as quais nada posso fazer.

Fica aqui a minha reclamação, com um apelo desesperado ao bom senso.  Vamos respeitar nossos vizinhos!  Vamos utilizar outros meios de comunicação que não impliquem na imposição da comunicação mesmo a quem não quer ser comunicado.  Abaixo ao sino da igreja!  Viva a modernidade!

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3 Comments

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  1. Muito mau humor. Acho que há certos sons de fundo em meu bairro, que harmonizam o ambiente.
    Será que precisa tudo isso?

    Não sei. A história só está começando.

  2. Mudei-me para ainda mais perto da Igreja da Penha. Temos sino de hora em hora, temos toque completo ao meio dia e as 18h, temos Ave Maria as 18h, temos missa as 7h sábados e domingos. Eu não me incomodo. Faz parte da vizinhança local. Até gosto. Não sou católica, mas canto junto com o coral aos domingos enquanto arrumo o quintal ou troco filhote, canto a Ave Maria, praticamente participou das missas. É divertido, bucólico (no sentido de “rural”) e eu me sinto menos moradora de cidade grande. Mas sou eu. Marido acha estranho. 🙂

    Há muitos pontos de vista. A pretensão dessa série é falar disso e de várias outras coisas.

  3. Essa moça é mais ou menos mala.

    Calma que ainda tem muito mais.

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