O Caso Campana – parte 7

Não muito longe dali, em um antigo cinema transformado em templo protestante neopentecostal, o pastor dava início ao sermão.  Não havia muitos fiéis presentes, mas os poucos que ali estavam prestavam muita atenção.

– Irmãos, boa noite, sejam bem vindos à nossa comunidade.  Deus hoje pediu para que eu falasse sobre um assunto que vem agitando a nossa comunidade, embora não tenha a ver exatamente conosco.  Mas é que nós precisamos saber como nos portar, como nos conciliar, como agir, diante de casos assim, estranhos à nossa realidade mas, ao mesmo tempo, tão próximos de nós.  Estou falando do sino da igreja que fica ali na pracinha.  Vocês devem estar espantados, pensando: “o pastor vai falar do sino de uma igreja que não é a nossa?  mas o que isso tem a ver com a gente?”; é isso mesmo, é do sino da igreja que eu vou falar hoje.  Irmãos, para começar, nós precisamos entender a beleza que existe em viver no Brasil, um país com tantas culturas, com tanta gente diferente, com tantas religiões diferentes.  Não podemos ter preconceitos nem criar ou alimentar inimizades por causa das nossas diferenças.  Jesus perdoou a prostituta no poço de Jacó – está lá em João 4.  Jesus elogiou e salvou o estrangeiro – está lá em Lucas 17.  Ele também quis que todos fossem abraçados pelos seus ensinamentos, quando mandou os apóstolos ensinarem toda as nações – está lá em Mateus 28.  As diferenças só existem para nós humanos.  Para Deus, a única diferença que existe é a que está no coração de cada um.  Cada um de nós é diferente, perante Jesus, mas todos somos iguais, porque somos seus irmãos, filhos do Pai.  Amém?

– Amém!

– Lá atrás, quando ainda não existia telefone celular, quando não existia luz elétrica, quando não existia relógio para medir as horas, como é que se fazia para avisar para o povo que estava na hora de se dirigir à Casa de Deus para rezar?  Não havia outro jeito: ou saía gritando pela rua “vamos lá, meu povo, tá na hora de rezar!” ou dava-se um jeito de alertar todo mundo que estava na hora.  Esse jeito foi o sino.  Então o sino tocava lá no alto da igreja e pronto, todo mundo já sabia que estava na hora de parar tudo para dedicar uma hora do dia a Deus.  As igrejas de culto católico preservaram essa tradição.  Todas elas têm um sino lá no alto.  Muitas outras igrejas cristãs também têm seus campanários e seus sinos.  Campanário é o nome que se dá à torre que segura o sino lá no alto.  Vem de “campana”, que é sino em latim, em italiano e em espanhol.  Aqui no Brasil não é assim.  Quantas igrejas templos vocês conhecem que têm sino?  Eu não conheço nenhum.  Na Assembleia de Deus não tem sino, na Igreja Batista nunca vi sino, também nunca vi uma Igreja Universal que tivesse sino…  Pode até ser que exista.  Vai ter alguém que vai dizer: “Ô Pastor, lá não sei aonde tem um templo com sino sim!”.  Tá bem, não duvido, deve ter mesmo.  Mas, na regra, não tem.  E não tem por que?  Alguém sabe?  Eu não sei.  Eu já estou há um mês me perguntado: “mas por que não tem sino lá no nosso templo?”, e não sei a resposta.  Aí eu orei.  Nessas horas a gente fica tão agarrado com a dúvida que esquece do principal: orar.  Tem que orar para encontrar a resposta.  A resposta existe, a gente não sabe, mas ela existe e Deus sabe qual é.  Como é que Deus vai soprar a resposta para a gente se a gente não fala com ele, não ora?  Não tem como.  Isso vale para tudo na vida.  Você está com um problemão lá com a sua cunhada e não sabe como é que vai resolver?  Ora.  Pede a Deus que ele vai guiar a sua vida para a solução do problema.  Você está endividado, está com problema com seu filho, com seu marido, com a sua esposa, com seu pai, sua mãe?  Ora.  Ora e ora muito, com fé.  Porque Deus prometeu: “invoca-me e te responderei, revelando-te grandes coisas misteriosas que ignoras”, está lá em Jeremias 33, 3.  Anota aí que esse é fácil.  É o telefone de Deus.  Jeremias 33, 3.  Repete comigo: qual é o telefone de Deus?

– Jeremias 33, 3!

– Isso aí, povo de Deus.  Simples assim.  Não sabe o que fazer?  Liga para Deus.  Abre a Bíblia e começa por ali: Jeremias 33, 3.  Lembrei disso e orei.  Orei, orei, orei…  E aí Deus soprou no meu ouvido uma pergunta, ao invés de uma resposta.  É verdade.  Deus nem sempre dá a resposta de mão beijada.  Aliás, quase sempre a resposta não é aquilo que a gente quer ouvir, mas aquilo que a gente precisa ouvir.  Deus não é pai?  Pai é assim.  Quem é pai aqui sabe disso.  Quando seu filho pede um brinquedo que você sabe que não é bom para ele, você fala o que ele quer ouvir ou o que você acha que é certo?  É claro que você fala o que você acha que é certo.  Pai tem a responsabilidade de educar, de proteger.  É assim com a gente, é assim com Deus também.  Ele educa, corrige, endireita os caminhos.  Mas ele não obriga não.  Também não bota a mão na massa para resolver tudo não.  Ele só dá a dica.  A gente escolhe concordar com Ele e fazer o certo ou achar que não é com a gente e fazer o errado.  Por isso que a gente entrega nossos problemas nas mãos dEle e vai.  Ele dá a solução, a gente bota em prática, ou não.  Amém?

– Amém!

– Mas como eu ia dizendo, Deus soprou no meu ouvido outra pergunta.  Eu perguntei para ele “por que no nosso templo não tem sino para chamar o povo para o culto?” e sabe o que ele respondeu?  Ou melhor, sabe qual foi a pergunta que ele me fez de volta?  Vou contar para vocês.  Ele perguntou: “Pastor, por que no templo não tem sino?”  Vocês estão rindo?  É verdade…  Não vou mentir para vocês.  É pecado.  É coisa do diabo, não é de Deus.  Sabe o que ele quis dizer com isso?  Que a gente também tem que ter um meio de chamar as pessoas para virem aqui, fazer parte da nossa comunidade, conversar com Deus, orar, recarregar as energias com Jesus, escutar a Palavra, aprender…  Se a gente não chama, como é que essas pessoas vão encontrar seus caminhos?  Tem que chamar.  Jesus não chamou Simão e André?  Chamou: “vinde e eu os farei pescadores de homens”.  Se ele não tivesse chamado, eles viriam?  Não viriam.  Tem que chamar.  Mas olha só: Jesus chamou, não obrigou.  Foi um convite, não uma ordem.  Simão e André foram porque quiseram.  Jesus chamou também Tiago e João, e eles aceitaram o convite.  A gente então tem que fazer o mesmo.  No trabalho, na nossa casa, com nossos amigos, vizinhos, a gente tem que chamar as pessoas para junto de Deus.  Chama; vem quem quiser, mas chama.  Se não esse mundo vai continuar cheio de maldade, de violência, gente morrendo com bala perdida, mãe matando filho, filho matando avó por causa de droga, marido maltratando a mulher por causa de bebida…  Não é isso que Deus quer para a gente.  Cada um aqui sabe porque está aqui.  Cada um aqui sabe que foi chamado por Deus para vir aqui hoje.  Cada um aqui tem a responsabilidade de fazer o chamado.  E nós vamos fazer esse chamado como?  Na nossa casa, no nosso trabalho, na nossa família, no nosso prédio…  e aqui também, na nossa igreja.  Vamos instalar um sino aqui, para chamar o povo para junto de Jesus, para o caminho do bem.  Vamos fazer igual aos nossos irmãos católicos, porque o que nos une é muito maior do que o que nos separa.  Amém?

– Amém!

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One Comment

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  1. Taí, gostei, vou adotar para os meus sermões. Amém!

    Viu, pastor? Gostou?

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