Meus olhos me condenam

Por que não olhar?  Num consultório, numa fila de cadeiras de uma instituição bancária, num gabinete ou outro qualquer local, eu olho.  Eu olho, avalio e julgo.  Olho a gorda de cima abaixo com a mesma atenção que dedico à bonita (sem porém lhe volver o mesmo olhar de contentamento).

Se eu não olhasse, avaliasse e julgasse, que histórias escreveria?  A vida alheia é fascinante, mesmo que não pertença àquela pessoa, mas seja mero fruto da imaginação que eu concebo a seu respeito.  Preconceito, trocando em miúdos.  O pré-conceito que eu formo a partir da visão que tenho, das experiências, dos estereótipos, acerca de pessoas que, na sua grande maioria, eu jamais voltarei a ter qualquer outro contato.  Que mal há em ter pré-conceitos?  Quem não os tem, que atire a primeira pedra.

E que mal há nisso?  Bem, a minha cara também dirá a essas pessoas muito do que eu penso, avalio e julgo a respeito delas.  É difícil manter a indiferença estampada no rosto ao se deparar com uma foto no WhatsApp da Erigleide e do Marcelo produzidos para uma festa junina.  Não creio ser possível, todavia, exigir que todos se mantenham indiferentes aos estímulos sensitivos recebidos.

Passamos boa parte de nossas vidas desenvolvendo e aprendendo a usar nossos sentidos, formando em nossas memórias um cadastro infinito de estímulos e reações recomendadas: calor-queimadura, açúcar-doce e por aí vai.  Por que evitar o cadastro de determinados tipos físicos e seus respectivos padrões de comportamento?  Da cor do cabelo ao tom de voz, da idade ao jeito de andar, do modo de se vestir ao vocabulário utilizado em uma conversa.  Tudo diz muito sobre quem somos, o que pensam de nós e o que pensamos sobre os demais.

E mesmo quem se incomoda em ser olhado vai dizer que nunca olhou?  Se disser que sim, meu preconceito me instigará a chamar-lhe de mentiroso.

* Esse post foi concebido para ser um contraponto ao “Olhar para os outros“, do Desabafos em Rodapé.  Aliás, até lhe roubei uma frase, sem pedir autorização, só para instigar os preconceitos da Mia dos Santos, autora daquele texto.

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One Comment

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  1. Erigleide, Erigleide… por que aquilo, meu Deus?

    Você que manda essas fotos.

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