Nájera

Como muitas cidades do Caminho de Santiago de Compostela, Nájera é pequena mas tem um passado bastante rico.  Uma cidade para ver de passagem.

Sua história começa com uma fortificação muçulmana erguida no alto de um monte à beira de um rio.  O castelo já não existe mais, mal se podem ver suas ruínas.  Após a Reconquista, por Sancho Garcéz, tornou-se sede do reino que, muito tempo depois, daria origem à Espanha.  Por ocasião da sua morte, esse reino foi repartido entre seus filhos, anexado à Coroa de Aragão, mas Nájera continuou a desempenhar papel mais ou menos protagonista na história da Espanha, com a coroação de Fernando III, o Santo e a batalha fratricida entre Pedro I, o Cruel e Enrique de Trastâmara.  Aliás, a alcunha “o Cruel” decorre dos atos impostos por Pedro à população de Nájera após a vitória sobre o irmão.

Na prática, Nájera é uma cidadezinha imprensada entre as margens do rio Najerilla e as montanhas que o envolvem de um lado e de outro.  De efetivo, só há uma coisa para ser vista ali: o Monastério de Santa Maria la Real, cuja história é bastante curiosa, cercada de lendas – como é comum nas medievalidades.

Reza a lenda que, em 1044, o Rei García de Nájera descobriu uma imagem da Virgem Maria em uma caverna enquanto caçava. A imagem, que estava próxima a um ramo de lírio, passou a se chamar Santa María de la Cueva.  No local do achado se decidiu construir o monastério, tendo o lírio como símbolo.  Naquela época, todo monastério que se prezasse tinha que guardar o corpo de um santo (uma “relíquia”, no eufemismo do meio), custasse o que custasse (as variantes iam desde polpudos pedidos de canonização à Santa Sé até o roubo de restos mortais).  Por isso, García resolveu trasladar corpos de santos do seu reino para serem enterrados ali.  Em 1052 tentou trasladar o corpo de San Felices de Bilibio, pedindo autorização aos bispos Sancho de Pamplona, García de Álava e Gómez de Burgos (qualquer um que autorizasse daria legalidade ao traslado). A autorização foi concedida pelo bispo de Álava, que se dirigiu a Riscos de Bilibio para pegar o corpo. Ao aproximar-se do túmulo do santo, o rei foi subitamente jogado para trás, sua boca ficou torta para sempre e teve início uma enorme tempestade.  Considerando isso um milagre, desistiu do traslado.  García também tentou também trazer o corpo de San Millán, sem sucesso, porque os bois utilizados como tração para a carroça que conduzia o féretro se recusaram a transportá-lo, desempacando apenas quando se resolveu retornar com o corpo a Cogolla, seu local de origem. No fim, mesmo sem santos, García acabou sepultado aos pés da Virgem, na caverna.  Muitos outros reis o seguiram no mesmo fim.

Monastério e igreja não são originais.  Foram reconstruídos entre 1422 e 1486 e são justamente os principais propósitos do vídeo abaixo.  Perto dele fica o Museu Najerillense, onde estão os achados arqueológicos da região.

No vídeo, ignorem, por favor, os dentes feios das mulheres que o apresentam.

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One Comment

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  1. Era melhor você não ter dito nada: eu não parei de prestar atenção nos dentes das mulheres. Não rolava um dentista não, produção?

    Elas podiam só narrar. Já estava bom.

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