Foi sem querer

Festa de criança.  Fergus no meu colo.  Senti alguma coisa bater em mim.  Era o garçom, com uma bandeja repleta de tulipas cheias de cerveja.  Do jeito que bateu, voltou, na direção da senhora que ele havia acabado de servir.  Ela estava sentada, abaixo da linha da bandeja.  Tomou um banho de cerveja, literalmente do primeiro fio de cabelo até o dedo mindinho do pé esquerdo.  E, ao perceber-se naquela situação, olhou para mim com cara de acusação.  “Olha o que você fez!“, ela deve ter pensado, sem sequer conseguir sentir raiva tão patética era a sua situação.  “Mas eu não fiz nada!“, transparecia a minha cara, com um misto de “E agora, o que é que eu faço?“.  Eu senti apenas alguns respingos no tênis.  Vi uma única gota de cerveja no braço do Fergus.  Tratei de apagar a evidência rapidamente.  E saí de fininho, caminhando para longe e desaparecendo na multidão.  E, dali em diante, toda vez que o garçom me via, ria discretamente e desviava o caminho.

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