Fazendo contas

Não acompanhei muito de perto os noticiários pós-jogos do Brasil nessa primeira rodada dupla das Eliminatórias, de modo que não sei o quão otimista ou pessimista anda a imprensa nacional sobre a possível classificação do Brasil para a Copa do Mundo de 2018.  Acho que o Brasil se classifica sem muitas dificuldades.  Essa geração parece ser melhor que a anterior, com jogadores titulares em times de ponta nos principais campeonatos do mundo e bons talentos em fase madura da carreira.

Ainda acho Júlio César o melhor goleiro brasileiro em atividade, mas ele parece ser carta fora do baralho de Dunga e talvez chegue muito velho a 2018.  Não acho Jeferson tudo isso, mas não vejo Victor, Marcelo Grhoe ou Alisson com envergadura para assumir o gol brasileiro.  Considero-os, no máximo, boas apostas.  Eu daria, ao longo das Eliminatórias, chances a Fabio e Paulo Victor, antes de decidir o titular.

Na linha, minha seleção ideal, hoje, teria Marquinhos na lateral direita (ainda estou muito bem impressionado pelo que ele fez contra o Chelsea na última edição da Liga dos Campeões jogando nessa posição), Thiago Silva e Miranda na zaga, Marcelo na lateral direita.  Não gosto muito do Luiz Gustavo, mas não vejo ninguém muito melhor que ele para jogar ali na contenção, à exceção do Ralf.  Armando o jogo, eu teria William na direita (depois da partida de ontem, todos vão concordar comigo, embora até ontem muitos tivessem dúvidas a respeito), Renato Augusto centralizado e Douglas Costa aberto na esquerda.  Esqueçam o Elias, ele é, no máximo, uma opção para compor o banco de reservas.  E que os três abram os olhos porque, em três anos, será difícil negar uma vaga a Phillipe Coutinho.  O mesmo não posso dizer sobre Oscar (eterna promessa), Lucas Moura (que também patina na promessa) e Lucas Lima (só uma promessa).  Na frente, Neymar e mais um – que pode até ser um cabeça de bagre horroroso, mas que enfie a bola para dentro do gol com competência.  E, na boa, hoje (entendam, falo de hoje, não de ontem nem de amanhã) esse cara é o Pato, não o Ricardo Oliveira, ainda que os números tentem me desmentir.  Amanhã poderá ser outro, mas está difícil enxergar um horizonte digno para a camisa 9 da seleção em três anos.

Qualquer que seja o time, a classificação depende de fazer o dever de casa, simplesmente.  Nas últimas cinco eliminatórias, o pior time classificado teve exatamente 52% de aproveitamento em quatro delas.  Somente em 2002 a última vaga sulamericana exigiu 55% de sucesso do pior time classificado.  Isso significa somar 28 pontos em 18 jogos (54 pontos possíveis).  Em outras palavras, o time que ganha todos os jogos em casa e empata um fora tem enormes chances de garantir a vaga.  E, sejamos sinceros, isso é utópico.  Tropeços haverá, mesmo em casa.  Então qual é o mapa da Copa do Mundo?

O primeiro passo é separar as outras nove seleções em três grupos: as difíceis (Argentina, Chile e Uruguai), médias (Peru, Colômbia e Paraguai) e fracas (Venezuela, Bolívia e Equador).  Vencer cinco dos seis jogos contra seleções fáceis não é tarefa tão difícil.  Abro mão de vencer a Bolívia em La Paz, e fico conformado em somar 15 pontos contra essas seleções.  Contra as médias, vencendo somente os três jogos em casa, já são mais 9 pontos na conta, totalizando 24.  Conseguir um empate fora ajuda, e não se deve exigir tanto.  Restam apenas quatro empates ou um empate e uma única vitória em seis jogos contra as seleções difíceis para garantir a classificação.  Dá até para perder um jogo contra elas em casa.

Perder para o Chile em Santiago, portanto, não foi nenhum absurdo, tampouco uma tragédia.  Vencer a Venezuela em Fortaleza, era obrigação.  Perder o próximo jogo contra a Argentina (mesmo sem Messi) em Buenos Aires não será nenhuma catástrofe (empatar ou vencer será excepcional!), mas vencer o Peru em Salvador será essencial.

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One Comment

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  1. Concordo integralmente quanto às contas para a classificação, mesmo porque as eliminatórias da Conmebol são as mais fáceis do planeta. Quanto à escalação ideal, ainda não sei bem, mas pra mim também não faz muita diferença, porque o time vai continuar sendo ruim.

    A gente tem essa síndrome da ruindade da geração atual. Essa está bem melhor que a anterior. Aliás, acho que é a melhor desde 2006.

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