Frómista

A pequena cidade de Frómista, a primeira parada do Caminho de Santiago localizada na província de Palencia, tem sua história marcada por três motivos distintos: San Telmo, os Judeus e o Milagre.

Pedro González Telmo, conhecido hoje como San Telmo, foi figura destacada do século XIII e hoje é invocado como patrono das pessoas do mar. Era sobrinho do Bispo de Palencia e foi orientado pelo tio nos estudos eclesiásticos. Foi ordenado padre e, por intermédio do tio, foi nomeado para um cargo honorífico pelo Papa.

Ao receber a notícia da eleição, pôs-se a celebrá-la. Estando na Plaza Mayor de Palencia, pretendeu apresentar-se sobre seu cavalo para receber admiração e aplausos do público. Lançou-se a toda velocidade praça adentro, porém o cavalo refugou no meio da corrida, deu um passo em falso e o atirou no lamaçal. Os espectadores celebraram a queda com gritos e vaias. O jovem e elegante padre ficou envergonhado num primeiro momento, mas reagiu e, com voz potente, exclamou para a multidão:

¡Cómo! ¿Este mismo mundo, a quien yo tanto quería agradar, se burla ahora de mí? Pues bien, también yo me burlaré de él. Y desde ahora, vuélvole la espalda para llevar una vida mejor.

Assim, retirou-se para se dedicar à vida religiosa. Ingressou no convento de Santo Domingo em Palencia e ali permaneceu durante três anos. Posteriormente radicou-se no norte da Espanha, onde morreu em 1426.

Os judeus estiveram presentes em Frómista atendendo à necessidade de povoamento da região durante a Reconquista, incentivada por facilidades concedidas pelos monarcas da época. Ao final do século XV, a comunidade judia de Frómista chegou a ter duzentas famílias (cerca de 1000 pessoas), aproximadamente 25% da população da cidade. A expulsão dos judeus da Espanha, em 1492 provocou na cidade uma decadência demográfica e econômica considerável.

Um feito de singular importância aconteceu na cidade em 1453, outorgando nova fama ao Priorato de San Martín.  Um tal Pedro Fernández de Teresa pediu dinheiro emprestado a um judeu chamado Matudiel Salomão. Vencido o prazo, não pagou o empréstimo e o judeu o denunciou às autoridades eclesiásticas, que o excomungaram. Ao ver-se excomungado, Pedro pagou o que devia mas não se preocupou em confessar-se para aplacar sua falta. Acabou caindo severamente enfermo e, só então, solicitou a presença de um padre para se confessar. Fernández Pérez de la Monja, padre da Abadia de San Martín, foi ministrar-lhe os últimos sacramentos.

Quando o padre foi dar-lhe a hóstia, esta estava grudada na patena com tal força que não conseguiu retirá-la. Perplexo, o sacerdote perguntou ao enfermo se ele havia ocultado algum pecado durante a confissão ou se estava excomungado. Pedro, então, lembrou-se do sucedido com Matudiel e explicou o fato ao sacerdote, que o absolveu e, enfim, conseguiu ministrar-lhe outra hóstia.

Após o ocorrido, o padre Pérez de la Monja pegou a hóstia que estava grudada à patena e a colocou na custódia de San Martín. Na casa onde os fatos ocorreram se guarda a estola do sacerdote e, na porta, se pode ver a chamada “Pedra do Milagre”.

Atualmente, a cidade é famosa pela sua Matriz, a Igreja de São Martinho de Tours, considerada a mais perfeita representação da arte românica na Espanha.  Chega a ser difícil compreender como, apesar de tal rótulo, ela esteve à beira da ruína completa no início do século XX.  Os vídeos de hoje (o primeiro, do exterior da igreja; o segundo, do seu interior), são sobre essa magnífica obra de arte.  Vale a pena ver ambos.

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One Comment

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  1. Lindo! Um sonho essa viagem.

    Mas vai demorar para ser realizada.

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