Transição da missa

Onde eu morava as missas eram espaçadas.  Excetuando o dia do santo padroeiro, não havia missa seguida da outra.  O povo chegava, assistia à missa e ia embora.

Desde que o Cachambi deixou de ser aqui, porém, convivo com missas seguidas dominicalmente. Duas seguidas no sábado, três seguidas na manhã de domingo, duas seguidas na tarde de domingo.  Durante a semana isso não acontece, porque só uma missa é celebrada.

E daí?, vocês devem estar se perguntando.  Uma coisa muito doida acontece: a transição de uma missa para a outra é uma verdadeira guerra entre beatas.  As velhinhas da missa seguinte chegam e começam a ocupar os espaços vazios nas primeiras fileiras, enquanto outras ficam em pé do lado dos “melhores lugares”, esperando a beata da missa anterior se levantar para sentar no lugar dela na missa seguinte.  É uma guerra velada, com poucas regras éticas.  É tenso o negócio.

Tenho me divertido bastante nos finais de missa, assistindo a batalha pelos lugares.  Já vi disputa até entre cadeiras de roda – uma das velhinhas, aliás, depois de conquistar o seu lugar, empurrada por outra velhinha menos velhinha que ela, ergueu-se da cadeira de rodas e sentou-se no banco sozinha.  O milagre, pensei, realizando-se diante dos olhos de todos.

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One Comment

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  1. Taí, quem foi que disse que as missas não podem ser divertidas?

    Sou suspeito para dizer, mas sempre achei que eram.

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