Favor liberar a porta

Hoje foi um velhote que cruzou o meu caminho.  E, coitado, eu não estava – e ainda não estou – num dia muito bom.  A tolerância está ainda menor do que o habitual.

Estava eu no elevador, sozinho.  O elevador parou em um determinado andar, no meio da viagem, e ali entraram três pessoas, uma delas o tal velhote.  Veio de longe falando no celular, entrou e ficou com a mão esticada, projetada sobre o vão da porta, impedindo o seu fechamento.  A princípio, todos ali pensaram que ele estava impedindo o fechamento da porta do elevador para que uma pessoa entrasse – o que eu não considero certo, mas tolero.  Só que…

– Então, meu caro, eu vou desligar porque eu estou entrando no elevador e a ligação pode cair.  Um abraço.

E desligou o telefone; e liberou a porta.

– Como é que é?

Eu perguntei, mas ele não entendeu, aturdido que estava olhando para o telefone e admirando a ligação recém desfeita, possivelmente com saudades.

– O senhor estava segurando a porta, atrasando a vida de todo mundo, para a sua ligação não cair?

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cotidiano

One Comment

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  1. Não há limites para a cara de pau.

    Realmente, não há.

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