Autonomia

Sempre achei que o Galoto seria bem mais dependente do que a Felícia.  Nós tivemos mais tempo e paciência para dedicar à Felícia no primeiro ano de vida.  Pudemos forjá-la muito melhor do que pudemos fazer com ele.  A correria do dia-a-dia, a ausência da novidade, o espírito do “eu já sei de tudo” e até mesmo a existência da própria Felícia, a demandar parte da nossa atenção, fez com que nós lhe déssemos muito mais moleza (leia-se, colo) do que deveríamos.

Bem, ele não só aproveitou como também se acostumou.  Daí eu desconfiar que ele seria mais dependente.  O caçulinha, o pobrezinho, aquele a ser protegido por todos – inclusive pela irmã, que desempenha esse papel maravilhosamente bem.

Isso, no entanto, não vem se confirmando totalmente.  Ele gosta, sim, e muito, de um chamego.  Sempre que pode, faz uma manha para conseguir um colo ou a atenção que deseja.  Mas, no cotidiano, ele vem demonstrando uma autonomia incrível para determinadas tarefas.  Arrasta o banco para onde quer e sobe nele para pegar coisas em cima da mesa (ou da pia, ou do fogão!).  Chega em casa e desfaz a mochila: pega a agenda e coloca sobre a mesa, tira a roupa suja e joga no cesto.  Tudo bem que precisa de uma certa orientação, mas dispensa ajuda (se bem que a irmã faz questão de ajudar).

Mas eu fiquei mesmo de boca aberta quando, no sábado, Fergus recusou qualquer tipo de ajuda para almoçar.  Pegou a colher e bateu um pratão de comida sozinho.  É bem verdade que às vezes usou a mão para pegar um pedaço ou outro de bife.  Em duas oportunidades, eu intervim para reagrupar a comida no centro do prato e facilitar a vida dele.  Fora isso, foi tudo sozinho.

Isso, até hoje, nem a irmã faz.  Ela sabe fazer, na escola ela faz, mas com a gente não faz.

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One Comment

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  1. Essa história de “saber fazer”, “fazer longe de casa” e “mas em casa não faz” é uma chateação, às vezes. João Guilherme é independente como se espera para a idade dele – nós vemos isso e temos os relatos -, mas em casa ele faz questão de ser o mais dependente que puder e isso cansa.

    O Exército resolve isso.

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