Rio 2016 – Vôlei

Foi tenso…  Não sei se porque a cadeira era desconfortável ou porque foi realmente muito tenso.  E não, não estou falando do jogo de ontem.  Eu fui assistir o Brasil x França, na segunda-feira: um jogo classificatório com ares de eliminatório – um aperitivo do que está por vir.

Que dificuldade que aquele time tem de jogar…  E que dificuldade aquele público tem de torcer…  Com o preço de ingresso que se está praticando, selecionando o público pela renda, os gringos não têm absolutamente nada do que reclamar.  Se eles enfrentassem o Flamengo, seria muito pior.  Porque aquela torcidinha mequetrefe, batendo palmas e gritando episódicos e tímidos “lê-lê-ô-Brasil!” quando o time ia bem e apequenando-se atrás das unhas roídas quando o time ia mal, não mete medo em ninguém.  Agora, amigos, estivessem as arquibancadas cobertas de vermelho e preto, tremendo por causa dos pulos incentivados com um ensurdecedor “sai-do-chão-a-torcida-do-Mengão!“, talvez os franceses chorassem agachados atrás do banco de reservas e pedissem a presença das respectivas mães para protegê-los.  Se nem assim nos ganharam, que se juntem ao baitola do salto com vara, nos devolvam a posse de seus aposentos na Vila Olímpica e voltem para casa antes da Cerimônia de Encerramento.

Liberté, Egalité, Vasifudê!
Liberté, Egalité, Vasifudê!

O público era formado predominantemente por duas tribos: casais apaixonados e amigas solteiras (eu estava acompanhado do meu cunhado, sabe-se lá o que pensaram de mim).  Na minha frente havia duas, que a cada intervalo abriam o Tinder para ver as novas.  Sério.  Do meu lado esquerdo havia uma menina com um banco vazio ao lado (o do corredor).  Provavelmente tinha namorado quando comprou os ingressos; terminou o namoro e micou com um deles.

Mas público elitizado tem as suas vantagens.  Terminado o jogo, levantei-me e fui embora.  Já estava descendo as escadas para sair do ginásio quando rolou uma gritaria lá em cima: “Peraê, segura ele aê!”  Olhei para cima, desconfiado.  Era comigo.  Carteira de motorista, cartão de crédito, RioCard e uma nota de dez reais, todos no mesmo plástico, passavam de mão em mão até mim.  Nem sei quem achou.  Agradeci genericamente, pus tudo no bolso e continuei meu caminho.  Fosse a torcida do Flamengo no Maracanã, possivelmente o fim da história seria bem diferente.

Uma última nota é negativa para a organização.  É fácil entrar no Maracanãzinho, mas achar o lugar foi complicado.  As letras no chão da arquibancada (uma por fileira de cadeiras) não batem com as letras das cadeiras.  Enquanto o chão marcava fileira S em um determinado degrau, as cadeiras daquele degrau marcavam R.  Era uma confusão danada a cada torcedor que chegava procurando seu lugar.  Desci para averiguar e constatei que a letra N no chão havia sido pulada.  As cadeiras estavam certas, o chão estava errado.  Vai entender?

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