A bola pune – episódio 5

Ninguém, em sã consciência, deixaria este episódio antológico do futebol de fora desta série.  Porque mais antológicas que a punição aplicada pela bola foram as chances desperdiçadas.  E mais antológica do que as chances desperdiçadas foi o modo como a bola puniu.

O vídeo de hoje é do jogo entre Vasco da Gama e Flamengo.  Finalíssima do Campeonato Carioca de 2001.  Jogo que entrou para a história pelo seu gol decisivo, mas que nem todos lembram do enredo completo.

O Vasco da Gama tinha o melhor time disparado do campeonato (quiçá do Brasil e do mundo).  Foi o time que fez mais pontos, considerando os dois turnos, mas por infelicidades e vacilos, acabou permitindo ao Flamengo vencer o primeiro turno (chamado Taça Guanabara).  Venceu o segundo e, tal como previsto no regulamento, eles se enfrentariam em uma finalíssima a ser disputada em dois jogos.  O Vasco tinha a vantagem de ser campeão com dois resultados iguais, por ter feito a melhor campanha geral do estadual e ter vencido o segundo turno (chamado Taça Rio).

No primeiro jogo da final, o Vasco venceu o Flamengo, de virada, por 2×1.  A vantagem que já era expressiva ficou ainda maior: poderia perder por um gol de diferença que seria campeão.  Ao Flamengo, restava apenas tentar vencer por dois ou mais gols de diferença.

O Flamengo abriu o placar, de pênalti.  O Vasco empatou, no fim do primeiro tempo, transformando em pó o primeiro passo do Flamengo na construção do placar que lhe interessava.  Na volta do intervalo, o Flamengo não demorou muito a reconstruir a diferença perdida.  Ambos os times passaram a jogar por uma única bola: o Flamengo para ser campeão com dois gols de diferença; o Vasco para sepultar qualquer chance de reação do Flamengo, igualando o placar.

Aos 9′, Juninho Paulista cobrou falta no travessão do Flamengo.  O goleiro Júlio César sequer se mexeu.  Aos 11′, Euller (o Filho do Vento), driblou o zagueiro Fernando e partiu correndo por metade do campo em contra-ataque, driblou o goleiro mas ficou sem ângulo para o chute.  Aos 13′, Euller tirou Juan para dançar, deixou o zagueiro do Flamengo caído no chão mas chutou em cima de Júlio César.  Aos 22′, Jorginho Paulista partiu em velocidade no contra-ataque, sem ninguém a lhe marcar, e caiu sozinho (e inexplicavelmente) de cara no chão.  Aos 37′, foi a vez de Leandro Ávila ser chamado para dançar com Euller, sofrer o drible e permitir uma finalização clara – para uma impressionante defesa a queima-roupa de Júlio César.  Aos 41′, Hélton defendeu um escanteio e ligou rapidamente o contra-ataque com Juninho Paulista, que abriu para Jorginho chutar forte no centro do gol, proporcionando uma defesa fácil para Júlio César.  Muitas chances claras desperdiçadas.

E, como vocês já devem ter aprendido com esta série… a bola pune.  Júlio César repôs a bola em jogo rapidamente, o Flamengo partiu para o ataque e Edilson, artilheiro do campeonato, sofreu uma falta meio mandraque lá no meio do campo.  O resto está no vídeo.  O resto é história.

Pela terceira vez consecutiva, o Vasco perdia uma final de estadual para o Flamengo, tornando-se o primeiro time a perder três finais consecutivas para o mesmo adversário na história do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.  Pior que isso, adquiriu a fama, a sina e o deboche, que ostenta até hoje, de ser vicecampeão, segundo lugar, em qualquer parte do mundo, contra qualquer adversário, em qualquer atividade, esportiva ou não.

O jogo completo pode ser visto aqui.

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One Comment

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  1. Nunca uma derrota abalou tanto a autoestima de uma torcida quanto essa. Aquilo foi uma quebra de paradigma.

    Foi realmente muito pesado. Até hoje é.

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