A bola pune – episódio 8

O episódio de hoje é o mais recente da série, ocorrido há poucos meses, e é aquela exceção que confirma a regra: não é só em jogos mata-mata que a bola pune – ela pune também em campeonatos de pontos corridos.  Vamos aos fatos.

Sporting e Benfica, os dois principais times de Lisboa, disputavam ponto a ponto, rodada após rodada, a liderança do último campeonato português.  Após um início vacilante, no qual o time perdera em casa para o Sporting em um acachapante 3×0 (fora o baile), o Benfica se reabilitara e vencia jogo após jogo, numa sequência tão incrível quanto impecável.  A vantagem confortável aberta pelo Sporting no primeiro turno foi diminuindo…  No último clássico do campeonato, entre os dois, no Alvalade XXI, a diferença era de apenas 1 ponto a favor do Sporting.

O moral do Sporting não era lá dos melhores: o time havia sido eliminado da Liga Europa após duas derrotas para o Bayer Leverkusen e não conseguira vencer o fraco Vitória de Guimarães na rodada anterior, mesmo com um jogador a mais em campo nos últimos 15 minutos de jogo, desperdiçando dois pontos preciosos.  Nada melhor que um clássico para reverter a situação.  O moral do Benfica estava alto: o time havia vencido o jogo de ida das oitavas-de-final da Liga dos Campeões da UEFA contra o Zenit de São Petersburgo (que fizera a melhor campanha da primeira fase) e vencera os três jogos seguintes da Liga Portuguesa, colocando o arquirrival na alça de mira.  Havia ainda um elemento especial no clássico: o Sporting era comandado por Jorge Jesus, um ex-jogador de baixíssimo calibre revelado pelo Sporting mas que se tornara um técnico de sucesso comandando o Benfica de 2009 a 2015 (faturando três títulos da liga portuguesa, três vice-campeonatos, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga, além de quebrar inúmeros recordes), quando se transferiu para o Sporting.

Quando a águia voou, no mítico Estádio da Luz, ninguém podia imaginar o que aconteceria em seguida.  Quando a bola rolou, o que se viu foi um massacre do Benfica sobre o Sporting.  O placar foi aberto aos 20′ 1T, pelo atacante grego Konstantinos Mitroglou.  O Benfica continuou atacando, sem tanto ímpeto, até o fim do primeiro tempo.  Na volta do intervalo, a situação se inverteu.  O Benfica murchou em campo.  João Mário recuperava todas as bolas para o Sporting e esbanjava exuberante preparo físico.  De seus pés saíam as melhores jogadas do Sporting, que pressionava o Benfica em busca do empate que o manteria na ponta da tabela.  E foi ele que, aos 26′ 2T, enfiou a bola na ponta direita para o atacante argelino Islam Slimani cruzar, rasteiro e açucarado, para o interior da pequena área.

Alguém já ouviu a expressão: “faz e me abraça”?  O cruzamento do Slimani foi isso.  Gol aberto, goleiro caído, nenhum defensor ao redor para pressionar, e um dos melhores jogadores do time na finalização da jogada.  O vídeo conta o que aconteceu – com um toque de humor no final.

Quem perde um gol desses – nível 8,7 na escala Deivid – não merece ser campeão.  E a bola…  Ah, a bola pune.

O jogo terminou 1×0 para o Benfica que, com isso, abriu dois pontos de vantagem sobre o Sporting.  Os dois times venceram todos os seus jogos até a última rodada.  O Benfica sagrou-se, então, tricampeão português.  O Sporting permaneceu na fila pelo 14º ano consecutivo (o segundo maior jejum da história do clube na liga portuguesa), amargando o 5º vice-campeonato em dez anos.  E virou alvo de gozações que podem ser vistas aqui.

O jogo completo (narração de rádio apenas) está aqui.  Acompanhe o gol perdido a partir de 1:23:00 do vídeo (e os comentários posteriores).

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