A bola pune – episódio 9

No episódio de hoje, vamos relembrar um dos mais emblemáticos casos de punição boleira.  Não pensem que há implicância, da minha parte, com o Vasco da Gama, por ser um dos principais rivais do Flamengo.  Nada disso.  De todos os casos que narrei aqui e ainda narrarei, esse é um dos que mais me impressiona, pela natureza do gol perdido e pelas tão opostas que acarretou para ambos os clubes além daquela competição específica.

O jogo era Corinthians x Vasco, no Pacaembu, em São Paulo, válido pelas quartas-de-final da Copa Libertadores da América de 2012.  No ano anterior, o Vasco havia perdido o título brasileiro após empatar com o Flamengo na última rodada do campeonato.  O título ficara com o Corinthians, que havia sido eliminado da pré-Libertadores, no início do ano.  Agora, os dois se enfrentavam novamente.

Na fase de grupos, o Corinthians fizera uma campanha sensacional, liderando seu grupo sem grandes dificuldades.  O Vasco também fizera uma campanha excelente, mas não ficara na liderança do grupo pelo critério de gols marcados, cedendo a vaga para o Libertad.  Nas oitavas-de-final, o Vasco suara para vencer (nos pênaltis) o Lanús; já o Corinthians vencera com certa facilidade pelo Emelec.  O primeiro confronto, em São Januário, fora um bom jogo, mas terminara sem gols.  Era hora do jogo de volta.  Quem vencesse se classificaria; o empate sem gols levaria o jogo para a disputa de pênaltis; o empate com gols daria a vitória e a classificação para a semifinal para o Vasco.

A bola rolou e, como seria natural, o Corinthians, empurrado pela sua torcida e pela sua gana de vencer uma Copa Libertadores da América (pesava o trauma do ano anterior), partiu para cima.  Até onde lembro, o jogo foi quase que integralmente um ataque-contra-defesa, no qual o Vasco esperava a chance de um contrataque para matar o jogo, enquanto o Corinthians massacrava o Vasco contra sua meta.

E a chance do Vasco apareceu: aos 18′ 2T, a bola escapuliu da defesa do Vasco, rebatida após uma cobrança de escanteio.  Diego Souza correu sozinho meio campo, sem que houvesse um defensor corinthiano sequer a lhe atrapalhar ou pressionar.  Frente a frente com o goleiro, era só empurrar para a rede e correr para o abraço.  Um gol obrigaria o Corinthians a vencer o jogo, fazendo dois gols…

Mas a bola pune.  Aos 42′ 2T, Paulinho fez o gol da vitória do Corinthians.  O Vasco foi eliminado.  O time se desfez moralmente e, no fim do ano, foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro.  Jamais voltou a ter um resultado tão expressivo no cenário nacional.  O Corinthians, depois, venceu Santos (que vencera a Libertadores de 2011), Boca Juniors, foi campeão da Libertadores e, no fim do ano, venceu o Mundial de Clubes.

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2 Comments

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  1. Esse também foi cruel. Dizem em São Paulo que esse foi o gol do título do Corinthians. Mas discordo de o Vasco ter sido vice campeão brasileiro em 2011 por causa do empate com o Flamengo. Houve resultados muito piores que, estes sim, foram decisivos.

    Não foi o gol do título não. Depois o Corinthians ainda teve que ganhar dois formidáveis adversários (Boca e Santos). Mas foi fundamental. E foi, talvez, a punição mais cruel aplicada pela bola sobre um time que não a colocou no fundo das redes.

    • Preciso corrigir uma informação: Em 2012 o time realmente se desfez, mas conseguiu terminar em 5.º no Brasileiro, aos trancos e barrancos. O rebaixamento veio no ano seguinte, 2013.

      Certo. Obrigado pela contribuição. Mas depois daquela bola perdida o time desceu ladeira abaixo, de qualquer jeito.

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