Mas vá com mais calma

O bate-e-volta é perfeitamente possível.  Mas, se você tiver a oportunidade de passar pelo menos uma noite em Santiago de Compostela, acredite: você não vai se arrepender.  Eu passei menos de 24h lá.  Saí com gostinho de quero-mais.

Porque Santiago não se resume apenas à sua Catedral famosa, com museu anexo (que eu não vi todo).  Há que se estar em Santiago para curti-la.  Por exemplo: eu adoraria ter ido ao Mercado de Abastos, situado no limite leste da cidade antiga; gostaria também de ter visitado o Museo das Peregrinacións e o Museo do Pobo Galego; gostaria de fazer a minha peregrinação simbólica de dia, junto com outros tantos peregrinos, vendo o cansaço e a emoção deles em seus olhos; gostaria de ter a oportunidade de provar um quitute, um prato, uma guloseima em um dos inúmeros restaurantes e bares da Rúa do Franco, da Rúa da Reiña e da Rúa do Vilar; gostaria de simplesmente ter tido tempo para me perder nas ruas da cidade antiga, ver algumas daquelas igrejas de pedra, lojas de bugigangas…  Sem contar que a cidade de dia é tão bonita – e completamente diferente – da cidade à noite.  São duas experiências completamente diferentes e que devem ser apreciadas com a mesma calma.

Santiago à noite
Perdido à noite nas ruelas do centro histórico de Santiago

Creio que o ideal seria passar duas noites em Santiago… ou três, se você quiser fazer um bate-volta a Finisterra (80km, aproximadamente), a extremidade ocidental do território espanhol continental.

Na falta de tempo para tanta coisa, escolhemos apenas um item para carimbar em nosso passaporte.  Seguindo a indicação do Guia Michelin, fomos jantar no A Curtidoria.  Não é um restaurante espetacular, não foi uma experiência gastronômica incrivelmente única e imperdível, mas foi ótimo.

Mal entramos no restaurante, fomos recebidos pela Erica – a única funcionária do restaurante fora da cozinha.  Ela fazia de tudo: anotava pedidos, servia os pratos, servia vinho, trazia conta e dava troco (só faltou cobrar escanteio e cabecear para o gol).  E não pensem que por isso o atendimento ficava a desejar… ao contrário, ela se desdobrava com muita eficiência nessas tarefas todas, sem perder o sorriso.

Eu escolhi comer Cordero asado en cazuela de barro, mas a Fiona se interessou também pelo prato e me disse para comer Ossobuco de buey estofado con Mencía.  Quando os pratos foram servidos, descobri que “ossobuco” em galego significa “Leandro se deu mal” em português – o prato da Fiona era bem mais bonito e saboroso que o meu.  Acompanhou a refeição um vinho reserva da Rioja – esse sim, divino!  É impressionante como beber vinhos espetaculares é barato na Europa, mesmo quando servidos em restaurantes.  A sobremesa foi a uma Tarta de Santiago, o doce típico da região, que eu considerei imperdível.

Eu só não entendi uma coisa naquele restaurante.  Embora houvesse lugares vazios – não poucos, mas pelo menos metade do restaurante em todo o tempo em que estive lá – os visitantes que não possuíam reservas não eram admitidos na casa.  Vi quatro casais (um deles com a mulher notoriamente grávida) serem recusados por não possuíram reserva.  Como se diz na gíria internáutica: fica a dica.

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