Se não pode vencê-la…

Cerca de 24h depois de o avião tocar a pista do Aeroporto Francisco Sá Carneiro e pouco mais de quinze anos após a minha primeira visita, lá estava eu de volta.

Quinze anos são quase uma vida inteira.  As lembranças daquela visita eram (e ainda são) parcas.  Lembro de subir os 260 degraus da Torre dos Clérigos em menos de cinco minutos (há quinze anos eu pesava vinte quilos menos que hoje); lembro de comer um belo bife com batatas fritas enquanto minha irmã comia sopa para se curar de um piriri histórico; lembro de assistir uma belíssima briga de vizinhos em frente ao tal restaurante; lembro de cruzar a ponte a pé e senti-la tremer; lembro vagamente de um passeio de barco sob sete pontes e mais nada.  Foi apenas um dia.  Ficou o desejo de voltar.

Vista de Vila Nova de Gaia
O Douro e os barcos

E lá estava eu.  De volta.  Imprensado entre o Douro e a escarpa.  O restaurante do bife com batatas fritas ainda existe; a Torre dos Clérigos ainda tem os seus 260 degraus; o prédio da briga agora é o anexo de um hotel de luxo; as pontes ainda estão lá, agora completas – uma delas estava em construção há quinze anos – com barcos ainda a fazer o mesmo passeio sob elas.  E as águas do Douro continuam a fluir, esgueirando-se entre as escarpas que ele separa, em direção ao mesmo Oceano que vejo da janela do meu mundo carioca.

Um pouco mais repleta de turistas, com menos gruas ornando o horizonte, parecia mais jovem e bela.  Eu, pelo menos, estava mais à vontade desta vez do que da anterior.  Creio que pelo relaxamento natural do rever, ao invés da ansiedade do conhecer.  Arrumada, organizada, mesmo no belo caos das roupas estendidas nos varais, mesmo na penúria de Miragaia.

A cidade permanecia Invicta.  Invicta e tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.  Não a cidade toda, seu centro histórico.  A Ponte Luís I ainda está lá, emblemática, confundindo-se com sua personalidade, tal qual o Cristo Redentor está para o Rio de Janeiro, a Torre Eiffel para Paris ou o Coliseu para Roma.  Um ex liberis da cidade, como dizem os locais.  Sobre ela, não mais ônibus e carros, mas um metrô e pedestres.

Área do tombamento (em verde) e zona de amortização (em vermelho)
Área do tombamento (em verde) e zona de amortização (em vermelho)

E não sendo possível vencê-la, a ela juntei-me.

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One Comment

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  1. “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…” desta feita, do lado cá!
    O Porto é uma cidade maravilhosa! Não vivo lá, mas tenho-a no coração, por muitas e diversas razões.
    😀

    Achei até bem mais bonita e cheia de graça do que a original…

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