Jogo da velha

Minha mãe voltou de viagem e trouxe um presentinho para a Felícia: um belo jogo da velha, de madeira, com peças, também de madeira, vermelhas e violetas (quando eu li o post para a Felícia, ela protestou: “roxas, papai!“).  O presente, em si, era um estojo dentro do qual as peças podem ser guardadas; o tabuleiro fica na tampa, em alto relevo.  Tão simples quanto bonito.

Fui eu encarregado, então, de ensinar o jogo à Felícia e praticar com ela.  No primeiro jogo, deu velha; no segundo também.  No terceiro, eu ganhei.  Não deu certo: ela ficou pau da vida.  Tentou todos os argumentos – inclusive os ilícitos – para virar a mesa.  Chorou, brigou, gritou, jogou as peças longe…  Eu permaneci imóvel, impávido, sereno, olhando para a cara dela do mesmo jeito.  Quando a poeira baixou (um bom tempo depois)…

– E aí, filha, vamos jogar de novo?
– Só se você deixar eu ganhar.
– Isso eu não posso te prometer.
– Mas você tem que prometer que vai me deixar ganhar, papai!!!
– Filha, a única coisa que eu posso te prometer é que eu vou jogar o jogo respeitando as regras.

Novo quebra-quebra. Gritos, acusações, ira, dedo em riste, choro, chamados pela mãe – que atendeu os chamados e a serenou. Depois de muita conversa, eu ainda no mesmo lugar com o jogo da velha, ela voltou.

– Tá bom, vamos jogar.

Perdeu muito mais do que ganhou. Ganhou porque eu a deixei ganhar. Ela ainda não tem a manha do jogo.  Era preciso motivá-la, por isso as permitidas vitórias esporádicas. Violar as regras, porém, jamais.

Anúncios

Você quer comentar? Clique aqui!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: