Foi bom enquanto durou

Recebi menos toneladas de zoação do que eu esperava, após o encerramento do jogo ontem.  O Flamengo não venceu (levou um gol de empate aos 42′ 2T, depois de perder pelo menos duas excepcionais chances de ampliar o placar); com o resultado, abandonou matematicamente a disputa do título brasileiro de 2016 com duas rodadas de antecedência.  Equiparou-se, pois, a outros 17 times da primeira divisão (não vou nem contar os inúmeros times que disputam divisões inferiores), que já se tinham enfiado na mesma situação com algumas muitas rodadas de antecedência.

Não fiquei chateado.  Não havia razão para a torcida vaiar o time ao término do jogo.  Pelo jogo, talvez sim; pela campanha, certo que não.  Definitivamente não.  Foi uma campanha soberba, sempre entre os primeiros colocados, pressionando os líderes o tempo todo.  Chegamos a ser líderes por 12 minutos (pode parecer uma piada; aliás, tentaram fazer disso uma piada), mas não mantivemos consistência necessária para desbancar um time (o Palmeiras) que, sim, apresentou muito mais competitividade que o Flamengo ao longo de todo o campeonato.  Não vencemos, mas os melhores vencerão em breve – muito provavelmente na próxima rodada.

O tal “cheirinho de hepta”, que incomodou todos os antis durante mais de trinta rodadas do campeonato, cessou por hora.  Dissipou-se com os ventos das frente-frias da primavera carioca.  Foi bom enquanto durou.  Fez-nos enamorar com o time novamente; promoveu o campeonato como nunca, desde 2009, ele fora promovido.  Despertou, novamente, o interesse do brasileiro pelo futebol nacional (interesse que aquele fatídico 7×1 havia ferido).  Criou moda (aeromoda), fez graça…

O Flamengo viajou pelo Brasil inteiro numa embaixada de solidariedade junto às torcidas afastadas do Rio de Janeiro.  E isso foi bom.  Aquelas crianças capixabas, paulistas, nordestinas, brasileiras, que cresceram vendo seus avós e pais vibrando com o Flamengo na televisão puderam sentir o gosto de ver o Flamengo ao vivo, ao alcance do olhar, em estádios Brasil afora.  Em 2016, o Flamengo itinerante acumulou milhas no cartão e, com elas, assegurou mais uma ou duas gerações de torcedores para a Magnética.  Porque o Flamengo não é só do Rio, ele é do Brasil inteiro (até de quem o rejeita).

O Hepta não veio este ano, mas entrou na mira.  O cheirinho dissipou-se, mas aprendemos a fórmula.  Agora, com as finanças saneadas, podemos recriá-lo em laboratório, envasar e espalhar em toda parte, todo ano.  E, pior do que sentir o cheiro (ou fingir que não o sente), para os antis, é saber que o Flamengo está no caminho da luz.  Depois de um ano como este – em que não ganhamos nada, mas disputamos tudo -, a galera já deve saber que vai entrar 2017 com o cangote em calafrios das baforadas do Mengão.

Parabéns ao Flamengo!  Por disputar efetivamente um campeonato brasileiro, por me permitir zoar a torcida arco-íris como desde 2009 eu não zoava, por provar que está no caminho certo da sua reestruturação, do saneamento de suas dívidas, do caminho de se tornar superpotência do futebol nacional, por deixar os antis desesperados.  Estou orgulhoso do que o time fez este ano.

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