Gordices no Porto

A próxima parada do passeio, depois de deixar a Lello, era a Leitaria da Quinta do Paço, na Praça Guilherme Gomes Fernandes, muito próximo à Lello.  O objetivo era fazer um lanche naquela que, ao que constava, era uma das mais tradicionais e belas docerias da cidade.  O caminho até lá, porém, não seria o mais óbvio.  Antes eu queria dar uma passada na Galeria de Paris – uma rua, também muito próxima à Lello, embora na direção oposta da Leitaria da Quinta.

A Galeria de Paris – que de galeria não tem nada -, ao que parece, é agitadíssima durante a noite, principalmente às sextas e sábado; de dia (aliás, de manhã) foi uma baita frustração.  O giro acabou valendo a pena pelo Bazar das Carmelitas, que atualmente atende pelo nome de “A Vida Portuguesa”, situado na esquina da Rua das Carmelitas (a mesma da Lello).

 “A Vida Portuguesa” é uma loja de produtos tradicionais portugueses.  Ao que parece, a ideia inicial era voltar a disponibilizar aos portugueses aqueles produtos tradicionais que já não se encontravam mais nas prateleiras dos supermercados.  Só que o negócio deu mais certo do que se imaginava: passou a interessar também os turistas desejosos de souvenires mais autênticos do que aqueles vendidos em lojas pega-turistas.  O que se iniciou na Mouraria de Lisboa acabou abrindo filiais em outros lugares: outras três lojas em Lisboa e uma no Porto, o no prédio do antigo Bazar das Carmelitas.

Bazar das Carmelitas
Interior do Bazar das Carmelitas

O Bazar, também ao que parece, é uma loja tradicional de departamentos: os Armazéns Fernandes, Mattos &Cia, que funciona no térreo; “A Vida Portuguesa” funciona no andar superior – mas eu só soube dessa diferença depois de voltar para o Brasil e pesquisar sobre o assunto.  Tudo ali evoca o início do século XX: o pé direito muito alto, os balcões, o mobiliário…  Tudo em excelentíssimo estado de conservação e manutenção.  Ali é possível reviver a época pré-bancária, que eu peguei ainda moleque, quando se pagavam carnês de crediário nos balcões de caixa situados nos fundos da loja (eles estão lá!)…  Outros tempos, que não voltam, mas que ali estão preservados na memória.

Tanto quanto prestar atenção nos excelentes produtos disponíveis, vale a pena prestar atenção na loja em si.  E, da varanda da loja, no segundo piso, tem-se uma boa vista da Rua das Carmelitas e da Torre dos Clérigos.

O giro no quarteirão terminou, enfim, na Leitaria da Quinta do Paço.  Uma loja clara, muito bem decorada, com vitrines vistosas e mais gente usando o wi-fi do que fazendo as gordices que eu esperava fazer.  Na vitrine, os doces pareciam mais bonitos que gostosos, a impressão inversa que eu havia tido quando vi o site.  Aquilo acabou dando uma baita desanimada na gordice planejada.  O resultado prático da investida foi um café expresso e uma bomba de frutas vermelhas (lá eles chamam bomba pelo chique nome francês: éclair; eu acho “bomba” mais compatível com o despejo calórico que aquele doce representa), que se revelou igualmente frustrante.

Leitaria Quinta do Paço
Éclair de frutas vermelhas: mais ou menos…

A frustração ficou ainda maior no caminho de volta para a Rua das Carmelitas: passamos por duas outras confeitarias, essas sim, muito mais sedutoras do que a Leitaria da Quinta: a Padaria Ribeiro (na mesma calçada da Leitaria da Quinta, também na Praça Guilherme Gomes Fernandes; e a Pastelaria Bela Torre, vizinha lindeira da Lello & Irmão – como é que eu não havia reparado nela antes?  Essas, sim, pareciam dignas de gordices de elevado nível.

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