Mercado do Bolhão

Gosto de visitar mercados públicos quando viajo.  E eles são, quase sempre, atrações turísticas importantes nos destinos mais variados do mundo.  Porque é ali no mercado que um lugar consegue se mostrar de verdade, na sua variedade de cores, na expressividade da gente local que vende e que compra, na gama de produtos, quase sempre produzidos localmente, que estão à disposição do visitante.  É possível provar frutas que não se conhece, comer comidas que nunca se viu, comprar produtos (muitas vezes com preços mais em conta que nas lojas pega-turista) que não se conhece.  Enfim, ir ao mercado (não ao supermercado) é uma experiência quase sempre muito legal.

Aqui no Brasil perdemos um pouco essa noção do mercado público.  Os supermercados os suplantaram.  Os poucos que ainda resistem se transformaram em camelódromos (caso de Fortaleza) ou em boutiques (caso de São Paulo ou do CADEG, no Rio de Janeiro).  Em Portugal – e em diversas outras partes do mundo -, os mercados se mantêm mais ou menos intactos, ainda.  Nas grandes cidades, como Lisboa e Porto, há mais de um.  No Porto, escolhi conhecer o Bolhão.

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O Bolhão leva esse nome por causa de um rio que passava ali até meados do século XIX, quando foi devidamente sepultado.  Um acidente no curso do rio fazia com que as suas águas formassem uma grande bolha naquele local – daí o nome.  Primeiramente, o terreno foi pavimentado para dar origem a uma grande praça; depois, já em princípios do século XX, a praça foi sepultada para ceder espaço ao prédio do atual mercado – o prédio, agora, já soma 102 anos de existência.

E está decadente, tanto o prédio quanto o mercado.  Ainda muito interessante, mas decadente, assim como o comércio ao redor.  Sabe aquela coisa parada no tempo há cem anos?  É isso.  No mercado, senhoras de muita idade vendem peixe, frutas, legumes do mesmo modo que suas mães e suas avós fizeram.  Do lado de fora, lojas em art-decó autêntico também vendem artigos do século passado da mesma forma que no século passado.  Um grande museu vivo ao ar livre, com raríssimas exceções.

Fisicamente, o prédio parece que está para entrar em reformas, patrocinadas pela administração pública local – reformas que já vêm sendo solicitadas e adiadas há mais de vinte anos.  Alguns andaimes escoram a estrutura, há muitos boxes vazios; a infraestrutura é precária, em oposição ao seu potencial, que é enorme – se souberem adaptar o Bolhão aos novos tempos.  Talvez seja melhor transformá-lo em uma grande boutique para turistas e jovens consumidores, porque aquelas senhoras muito provavelmente não terão quem as suceda.  Não há pinta de que uma nova geração vá se interessar por manter aquela tradição.

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Fiona aproveitou a visita para ir às compras.  Levou quase uma hora negociando com uma daquelas senhoras quase centenárias artigos que iam de toalhas de mesa a panos de prato (todos muito bonitos e aparentemente autênticos).  Vendo que ela se divertia com aquilo, eu nem me meti.  Saí passeando, vendo as modas, olhando cada lojinha de cada canto do mercado, enquanto ela pechinchava – para, no final, ficar com pena da senhora e pagar até mais do que havia sido negociado.  Ela estava feliz, e isso é o que me interessava.  Eu comprei algumas frutas que nunca ouvira falar.  Todas muito gostosas.  Uma loja oferecia degustação de vinhos do porto aos turistas.  E foi só.

Mercado do Bolhão
Barraca de frutas no Mercado do Bolhão

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O dia hoje é de vídeo.  Aí vai, então, um vídeo que conta um pouco da história, da atual situação e do futuro do Bolhão.

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