Estação São Bento

Seguindo o giro programado pela parte alta da cidade do Porto, passamos na Igreja de Santo Ildefonso (de Toledo), que fica justamente na cabeceira da Rua de Santa Catarina.  A ideia, mais que conhecer a igreja, era comprar uma lembrança para a minha afilhada, cujo sobrenome é, justamente, Ildefonso.  Não tenho notícia de templos dedicados a tal santo aqui no Brasil, a oportunidade seria única.

Igreja de Santo Ildefonso
Igreja de Santo Ildefonso

É mais um dos muitos templos católicos do Porto com fachada revestida em azulejos belíssimos mas com interior pobre, tal como a Capela das Almas.  Construída entre 1730 e 1739 sobre ruínas de outra igreja mais antiga, tem duas torres sineiras.  Estima-se que o revestimento totalize cerca de 11 mil azulejos.

Não havia, porém, uma alma sequer da paróquia para me atender ali.  Só a igreja, aberta e vazia, semi-iluminada pelos janelões decorados com os passos mais significativos da História da Salvação, evocando a tradição gótica de contar as histórias da Bíblia através de desenhos (coisas do tempo em que a maioria dos fiéis não sabia ler).

O jeito foi seguir em frente, rumo ao que eu considero a parada mais incrível – e difícil de apreciar – da cidade: a Estação Central do Porto, muito mais conhecida pelo nome de Estação São Bento.

Do lado de fora, reina o caos com o trânsito quase infernal de várias ruas que a ladeiam.  Dentro, a zoeira não é menor, com um trânsito apressado de pessoas circulando em todas as direções, algumas correndo para embarcar em trens, outras paradas, simplesmente admirando a imensidão dos desenhos dos azulejos de seu interior.  Sim, porque, para quem ainda não está ligado, a beleza da Estação, que a torna única e tão bela e reverenciada – a ponto de ser considerada uma das mais bonitas da Europa – é que seu átrio é inteiramente revestido por azulejos, com temática histórica da região norte de Portugal.

Estação São Bento
Estação São Bento

A dificuldade de apreciar não fica apenas por conta desse intenso conflito entre os transeuntes habituais e os turistas esporádicos.  Obras estão em curso em algumas partes da estação.  E, o pior de tudo, entender o que significa cada desenho é tarefa para poucos.  Felizmente, graças a São Google, encontrei uma dissertação de mestrado (se não era, para mim passou a ser, tão incrível e completa que é) sobre o tema.  Depois de ler, você vai dar aula aos guias locais, que charlataneiam muitas explicações.

Do casamento de D. João I com Filipa de Lencastre ao Encontro de Valdevez, do registro da história dos transportes ao registro da chegada do primeiro comboio (como eles chamam o trem) ao Minho, da Procissão e Nossa Senhora dos Remédios à Feira do Gado, são tantas cenas a decorar as paredes da Estação que é possível ficar tonto girando e vendo tudo aquilo.  É obra, é arte, e obra de arte.  Acho que, todas as vezes que eu passar pelo Porto, vou dar uma escapada até ali, para ficar boquiaberto observando aquele mundo de histórias registradas em azulejos.

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