Sé de Braga

Naquela viagem anterior, feita quinze anos antes desta, passei um dia inteiro em Braga.  E penso que Braga é mesmo destino para se passar um dia inteiro, apesar de só ter gasto, nesta viagem, uma manhã ali.  Objetivos diferentes, escolhas diferentes.  Nesta viagem, o acordo feito com a Fiona de evitar a visita a locais religiosos, reduziu bastante a abrangência do roteiro.  Isso, aliado ao desejo de conhecer mais lugares e ao fato de que eu já conhecia grande parte dos demais atrativos da cidade (quase todos de cunho religioso), forçou à conclusão de que uma manhã em Braga seria suficiente para nós.  Não se engane, porém: é possível passar um dia inteiro em Braga sem se chatear, mas com ênfase no turismo religioso.

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Braga é a cidade sede da região do Minho.  A cidade de Braga possui pouco mais de 100.000 habitantes, sendo o 7º maior do país; o município de Braga (o que, simplificando, equivale a se referir à região metropolitana de Braga) possui pouco mais de 180.000 habitantes, sendo o 6º maior do país; o distrito de Braga (equivalente simplificado de um Estado, aqui no Brasil) é o 4º maior do país, com quase 850.000 habitantes.  Não é uma cidade que se possa se considerar pequena.  Não se pode perder de vista, porém, que Lisboa é a única cidade realmente cosmopolita do país; Porto é a maior cidade do interior (uma espécie de Belo Horizonte, uma roça grande); Braga é menos que isso – apenas uma pequena cidade agitada, ou uma roça ajeitadinha.

A cidade tem raízes na ocupação romana da Península Ibérica: fundada pelos romanos, com o nome de Bracara Augusta, em 16 a.C. (daí o seu nome atual, corruptela do nome romano), porque a região era habitada por povos de origem celta chamados à época de Brácaros.  Caiu nas mãos dos suevos, após a queda do Império Romano, foi conquistada pelos mouros e reconquistada pelos cristãos, como quase toda a Península Ibérica.

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Reza a lenda que o bispado de Braga foi fundado pelo Apóstolo São Tiago Maior em sua peregrinação à Península Ibérica – o mesmo que se encontra sepultado em uma cidade mais ao norte que leva seu nome.  Por esse motivo, a Sé de Braga é considerada como Sacrossanta Basílica Primacial da Península Ibérica, dona de liturgia própria, a liturgia bracarense; seu Arcebispo é o Primaz das Espanhas, detendo ascendência sobre todos os bispos da Península, inclusive os de dioceses importantes, como Lisboa, Porto, Santiago de Compostela, Madrid e Toledo.

Essa notabilidade é tão incrível que o arcebispo Diego Gelmírez (1068-1136), de Santiago de Compostela (a tal cidade mais ao norte), com medo da ascensão da Sé de Braga, subtraiu dali as relíquias dos santos bracarenses, na tentativa de diminuir a importância religiosa da cidade.  Na Idade Média, a importância de uma sede religiosa era, em parte considerável, medida pela quantidade de relíquias que ela possuía (veja os exemplos de Nájera e Puente e Hospital de Órbigo, ao longo do Caminho de Santiago de Compostela).  Essas relíquias só retornaram a Braga na década de noventa do século XX.

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A Sé de Braga é uma das igrejas mais antigas de Portugal.  Com tanta idade e importância, é natural que ela se torne o principal atrativo turístico da cidade.  E mais não é necessário dizer, porque o vídeo já diz tudo o que é preciso dizer sobre ela.

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