O Paço dos Duques de Bragança e o Castelo de Guimarães

Sendo o berço da nacionalidade portuguesa, é natural que as principais atrações turísticas de Guimarães sejam relacionadas à sua história, ou melhor, à história de Portugal.  Depois de estacionar o carro no parking situado sob a praça que leva o nome da fundadora da cidade (a Condessa Mumadona Dias), subi a colina que se ergue ao norte da cidade até o Paço dos Duques de Bragança, percorrendo a Rua Serpa Pinto e o Largo Martins Sarmento.

Estacionar ali, achei que fosse caríssimo, mas não foi.  Pelo contrário, foi uma pechincha.  Fora das grandes cidades, estacionar o carro, mesmo em lugares muito bem estruturados, como estacionamentos subterrâneos, com banheiros limpos à disposição, é realmente muito barato.  Dá gosto, e nem vale a pena esquentar a cabeça procurando vaga ao longo das ruas do centro histórico.  Guimarães é uma cidade pequena e muito bem urbanizada, pode-se percorrer toda à pé, sem dificuldades.

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A região é, sem dúvidas, a mais visitada de Guimarães.  Afinal de contas, tanto o Paço dos Duques de Bragança quanto o Castelo são a personificação da identidade iconográfica da cidade.  Por isso, ali no Largo Martins Sarmento, há várias lojinhas de artesanato e souvenires para a conveniência dos turistas.  Mesmo para quem não está muito propenso às compras, vale a pena espiar.

Minha visita começou pelo Paço dos Duques de Bragança.  Um palácio, que está longe de ser o que já foi.  A ruína o consumiu durante muito tempo.  Quando o governo português acordou para o fato, já era tarde.  Teve que reconstruí-lo quase que inteiramente.  Atualmente, do que se pode ver ali, quase nada é original.  Mesmo assim, conseguiu-se fazer dele um museu bastante interessante e bonito.

Mais interessante do que o próprio prédio, em si, é a sua história.  Consta que ele foi construído no início do século XV por D. Afonso, Conde de Barcelos e, mais tarde, I Duque de Bragança, Casa que reinaria em Portugal anos mais tarde.  Este, por sua vez, era filho bastardo do rei D. João I (Rei de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis), que também era filho ilegítimo de Pedro I, o Cruel – aquele que se casara com Inês de Castro, a quem mandou desenterrar, após ser coroado Rei de Portugal, dando origem ao ditado “Agora é tarde e a Inês é morta“, que todos conhecemos, e irmão de Fernando I, a quem sucedeu no trono português por este não deixar herdeiros.  Mas isso é outra história.

Como eu ia dizendo o Paço dos Duques foi construído por D. Afonso, Conde de Barcelos, para servir de residência de sua amante, Constança de Noronha.  ocorre que, por capricho do destino, quando a obra estava por ser terminada, a esposa de D. Afonso veio a falecer, no parto de seu filho, D. Fernando (que se tornaria sucessor do pai como II Duque de Bragança).  Assim, a conclusão das obras coincidiu com o segundo casamento do Duque, com sua amante, que então se tornou sua legítima esposa.

Pouco restou e pouco se sabe de sua forma original.  A restauração mandada executar por António Salazar, ditador português, nos anos 1930, na verdade se tratou de uma reconstrução, já que pouco se sabia (e pouco se sabe até hoje) sobre o prédio original.  No entanto, a sua grandiosidade mostra o quanto D. Afonso era rico e gostava de sua amante, ou melhor, esposa.

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Hoje, quinta-feira, é dia de vídeo.  Vai aí um vídeo que parece um trabalho escolar, simples mas bem feito, que conta muito do que o Paço dos Duques de Bragança é atualmente.  Nele, as mil palavras valem muito mais do que todas as imagens juntas.  Estas, porém, não são de se desprezar.

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Há um bilhete combinado que permite visitar o Paço dos Duques e o Castelo de Guimarães, com um pequeno desconto da compra conjunta.  Deve ser comprado no Paço dos Duques, porque no Castelo de Guimarães não há bilheteria.  Não caia no equívoco, normalmente fruto da ansiedade, de visitar primeiro o Castelo.

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Quantos anos uma construção deve ter para ser considerada velha?  O Brasil tem pouco mais de 500 anos de história.  O Castelo de Guimarães tem mais de mil anos de existência, com formato muito próximo ao que ele apresenta hoje.

Construído sob a forma de um escudo medieval, ele era originalmente parte de uma muralha defensiva que circundava toda a vila de Guimarães.  Com o tempo, perdeu sua função defensiva (e a muralha em grande parte desapareceu, podendo ter seus restos ainda vistos na Av. Alberto Sampaio e na Torre situada no Largo do Toural, na qual consta a icônica frase “Aqui Nasceu Portugal”) e funcionou como cadeia e palheiro.

Consta que o castelo foi escolhido por D. Henrique e D. Teresa de Leão, pais de D. Afonso Henriques (primeiro rei de Portugal) para ser sua residência quando a eles foi conferida a titularidade do Condado Portucalense.  Parece que foi nessa época que o Castelo tomou a forma que até hoje possui (e isso se deu lá pelos idos do século XI).

Ele também foi palco da guerra entre Afonso VII de Leão e Castela e D. Afonso Henriques, evento que fez com que Egas Moniz, tutor de Afonso Henriques, oferecesse a Afonso VII a própria vida e de sua família por não ter conseguido cumprir a promessa de fidelidade de seu pupilo (sim, Egas Moniz havia prometido a Afonso VII que seu pupilo jamais se rebelaria contra ele mas, como ele se rebelou, Egas Moniz, por questão de caráter, entregou-se ao rei, que o poupou).  Esse evento, conhecido como “A Entrega de Egas Moniz”, está retratado em azulejos na Estação de São Bento, no Porto.

Consta ainda que o Castelo foi palco da batalha de D. Afonso Henriques contra as tropas fiéis à sua própria mãe, após a morte do pai – a Batalha de São Mamede, aquela que se considera como determinante para a Independência de Portugal e o início do mais antigo Estado Nacional ainda existente no planeta, em 24 de junho de 1128.  Após a derrota, D. Teresa (que era filha ilegítima de Afonso VI de Leão e Castela e tia de Afonso VII, e havia sido reconhecida como sucessora do esposo na titularidade do Condado pelo Papa e pela sua meia irmã, Urraca de Leão, a quem devia vassalagem) refugiou-se no Castelo de Póvoa do Lanhoso (cerca de 20km mais a norte), onde veio a falecer dois anos depois.  Seus restos mortais hoje repousam na Sé de Braga, junto com os do marido, por ordem do filho, D. Afonso Henriques.

Recentemente, o Castelo de Guimarães esteve submetido a obras de restauro que lhe deram mais segurança para circular pelo passadiço e uma belíssima exposição na Torre de Menagem.  Visitar o castelo, no entanto, não é tarefa das mais fáceis.  Chegar lá requer subir uma ladeirinha leve, mas com terreno de areia.  Circular no castelo também não é algo que pessoas com necessidades consigam fazer, por causa do chão pedregoso e porque é necessário subir escadas para acessar o passadiço e a Torre de Menagem.

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Aproveitando a deixa, vamos a um segundo vídeo, não tão bom quanto primeiro (que já não foi lá grandes coisas), mas que é igualmente suficiente.  É antigo, anterior às obras de restauração mais recentes, mas apto a mostrar muito do que o castelo é.  Surpreendeu-me o fato de não haver nada mais legal que isso disponível sobre um monumento tão importante.

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