Inversão de planos

Este post é a segunda parte de uma história dividida em nove capítulos.  Se você chegou aqui e não quer ficar boiando, leia antes o primeiro capítulo clicando aqui.  Renovam-se os avisos: todos os fatos narrados aqui são reais e, para desonra da tradicional linha narrativa de causos deste blog, não há aumento de ponto na contação do conto.  Por outro lado, mantendo o princípio editorial de preservação da identidade de terceiros, algumas datas, alguns nomes de lugares e todos os nomes de pessoas foram substituídos.

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No dia seguinte à visita a Braga e Guimarães, nós havíamos programado uma visita a Coimbra e, aproveitando a proximidade, iríamos também à aldeia de origem do bisavô da Fiona.  Durante a fase de planejamento da viagem, verifiquei que era possível fazer visitas guiadas à Universidade de Coimbra diariamente às 11h e às 15h.  Entrei em contato com a Universidade e reservei o horário de 11h para realizar a visita.  Depois disso, faríamos um breve passeio a pé pela cidade e seguiríamos o caminho até a tal aldeia.  Seria o suficiente para acordar, tomar café, pegar o carro e seguir do Porto até lá, estacionar e subir a pé a montanha sob a qual está edificada a universidade.

Só que o jantar e o vinho da noite anterior fizeram efeito e já eram quase 10h quando a Fiona enfim ficou pronta para iniciarmos o dia (eu havia acordado às 5h30 para correr 5km na beira do Douro nesse dia, indo até a Ponte da Arrábida e voltando ao hotel).  A essa altura, fazendo os cálculos, não seria possível chegar a tempo para a visita guiada das 11h: contando que teríamos que andar do hotel até o estacionamento (não era muita coisa, mas era uma parcela de tempo que devia ser considerada no cálculo, cerca de 10 minutos), fazer a viagem (cerca de 1h15), achar uma vaga para estacionar em Coimbra e subir a ladeira da universidade (algo que, nem nos melhores sonhos, a Fiona se sentiria motivada a fazer com rapidez), estava fácil chegar ao resultado prático dessa equação – a visita guiada havia babado.  E eu tinha muito interesse na visita, por só ter visitado a biblioteca joanina na visita que eu fizera há quinze anos e porque eu tenho a intenção de que os meus filhos estudem lá.

Brigamos, eu e Fiona, por causa desse atraso, ainda no quarto do hotel, no Porto.  Liguei, então para a Universidade de Coimbra.  Fui atendido por uma simpática moça.  Identifiquei-me e expliquei o problema.  Perguntei se seria possível começar a visita às 11h30, talvez às 11h40, horário que eu estimava ser possível chegar na Universidade.  Ela respondeu prontamente que não, porque a visita não era exclusiva; além de mim e da Fiona, haveria outras pessoas no grupo.  Por isso, a pontualidade era fundamental.  Entendi e concordei.  Mas ela me interrompeu, pedindo um instante.  Provavelmente, enquanto falava comigo, devia estar conferindo as reservas.  Quando voltou a falar, disse que minha reserva não havia sido feita para a visita guiada de 11h, mas para a visita de 15h, porque a de 11h seria feita em inglês e a de 15h em português, e como eu era brasileiro…  Eu estava estupefato!  Eu tinha um e-mail impresso que garantia a reserva para uma visita guiada à Universidade no grupo das 11h.  Enfim, aquela trapalhada esclarecida servia perfeitamente para a solução do meu problema.

Aliviado e feliz, concordei prontamente com a “alteração” do horário da visita das 11h para as 15h.  Fiona fez uma cara séria de “viu?  está tudo resolvido, não precisava ter se estressado; agora não enche mais o meu saco“.  Não era o que eu havia programado, mas era suficiente.

Invertemos, então, os planos para aquele dia.  Programei o Waze para nos levar diretamente até a matriz de Palheiros, apertamos os cintos de segurança e iniciamos a viagem.  Coimbra ficaria para a parte da tarde.

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