Convento de Cristo, em Tomar

Para quem gosta de mistérios medievais, o passeio é imperdível.  Para quem gosta de História, o passeio é uma aula.  Para quem curte arquitetura antiga, o passeio é sensacional.  Para quem quer fazer um bate-volta bacana a partir de Lisboa, o passeio é ideal (dá até para combinar com outro lugar próximo, falaremos sobre isso mais tarde)!

Um Mosteiro dentro de um Castelo medieval, cercado por jardins muito bonitos e uma floresta do lado de fora das muralhas; peças de arquitetura únicas em Portugal, bem diferentes daquilo que nós, brasileiros herdeiros da cultura portuguesa, estamos acostumados a ver.  Tudo isso com o acréscimo do tombamento pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

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A história dos Cavaleiros Templários é repleta de mistérios até os dias de hoje.  Acredito que muitos sejam alimentados mais pela imaginação do que por fatos concretos.  Contudo, ela ainda hoje promove a fama da Ordem, muito mais que a de outras Ordens Militares Religiosas da sua época – fama essa que vem sendo potencializada pelo recente interesse despertado por livros e filmes.

A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (seu nome completo) foi criada ao fim da 1ª Cruzada, em 1118, por Hugo de Payens.  A 1ª Cruzada havia resultado na tomada de Jerusalém frente aos islâmicos.  Seu principal objetivo inicial era proteger outros peregrinos cristãos que desejassem chegar ao local onde se situava o antigo Templo de Salomão (daí seu nome).  Com o tempo, a Ordem cresceu e assumiu outras feições militares e religiosas em toda a Europa.

As histórias que cercam a sua extinção são um tanto controversas – o que até hoje rende parte da fama e das lendas que alimentam a imaginação acerca da Ordem dos Templários.  Consta que, nos idos do século XIV, o rei francês Felipe IV, o Belo, estava à beira da bancarrota.  A Ordem possuía vultoso patrimônio, além de um exército formidável a serviço do Papa em solo francês (e em outras localidades também, inclusive Portugal).  O rei queria enfraquecer o Papa e saldar suas dívidas.  Não teve dúvidas: acusou os membros da Ordem de heresia.  Sob tortura, muitos membros confessaram.  O restante ficou por conta da Inquisição.  A pá de cal foi uma bula do papa Clemente V que encerrou de vez as atividades da Ordem dos Templários.

Felipe IV se apoderou de todos os bens da Ordem em solo francês, mas há rumores de que tesouros ainda mais valiosos restaram escondidos pelo seu último Grão-Mestre, Jacques DeMolay, em algum lugar do mundo.  Lendas dizem que o tesouro inclui, dentre outras relíquias, a Cruz de Cristo e o Santo Graal.

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A História dos Cavaleiros Templários em Portugal começa antes mesmo da independência portuguesa, quando Teresa de Leão legou à Ordem um trecho de terra próximo à atual Penafiel, esperando receber em troca apoio na Reconquista frente aos mouros.  Pouco depois, em 1160, a Ordem estabeleceu sua sede em Tomar, onde o Grão-Mestre Gualdim Pais mandou construir um mosteiro.  Posteriormente, o Convento foi ampliado por D. Henrique o Navegador, Mestre da Ordem, e por D. João III.  Tornou-se um dos maiores – senão o maior – mosteiro de Portugal.  O esplendor durou apenas até a extinção da Ordem por Clemente V, fielmente aplicada por D. Dinis I, então Rei de Portugal.

Toda essa história, bem explicadinha, está no vídeo abaixo.  É em espanhol, mas dá para entender.

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E o Convento de Cristo?  Esses dois vídeos, juntos, dizem mais do que eu poderia dizer com mil palavras.  Reparem: são dois episódios inteiros do mesmo programa sobre o mesmo Convento.  Há muita coisa para ver ali.  Inclusive – e especialmente – a lojinha no fim da visita que, aliás, não é uma: são duas.  Foi muito difícil sair dali levando apenas um ímã de geladeira.

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O Convento de Cristo fica a aproximadamente 1h30 de Lisboa e 2h do Porto (um formidável meio de caminho).  Saindo de manhã, você pega o trânsito no sentido contrário (o maior fluxo, de manhã, é no sentido das grandes cidades) e não deverá sofrer atrasos na viagem.  O estacionamento não é farto, mas é muito confortável, bem na porta do Convento de Cristo, e com tarifa irrisória, medida por parquímetro.

É possível visitá-lo em meio período (uma manhã ou uma tarde), embora ele não seja exatamente pequeno.  Percorrer todos os seus corredores, jardins e claustros requer bastante tempo.  Mesmo sendo possuidor de olhos e pernas ágeis, não espere gastar menos de duas horas inteiras na visita.

O bate-volta do Convento de Cristo pode combinar com a própria cidade de Tomar, com Fátima (0h30), Batalha e Alcobaça (0h30 e 0h50, respectivamente), Santarém (0h55), Castelo de Almourol (0h30), ou um enoturismo na região de Lisboa (0h40 a 1h10, dependendo da Quinta a ser visitada) – a critério do freguês.

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